O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO IV 501

precedente. Segundo esse sistema, só a alma do médium se manifesta mas, se identifica ela com a de várias outras pessoas presentes ou ausentes, e forma um todo coletivo reunindo as aptidões, a inteligência e os conhecimentos de cada  um. Ainda que a brochura onde essa teoria está exposta seja intitulada a luz (1), ela nos pareceu de um estilo  muito  obscuro;  confessamos tê-la compreendido pouco, e  dela não falamos senão de memória. É, aliás, como muitas   outras, uma opinião pessoal que fez poucos prosélitos. O nome de Emah Tirpsé é o que toma o autor para designar o  ser  coletivo   que  representa. Toma por epígrafe: Não há nada de oculto que não deva ser conhecido. Esta proposição é evidentemente falsa, porque há uma multidão de coisas que o homem não pode e não deve saber; bem presunçoso seria aquele que pretendesse penetrar todos os segredos de Deus.

45. Sistema sonambúlico. Este sistema fez mais partidários, e conta mesmo, ainda, com alguns. Como o precedente, admite que todas as comunicações inteligentes têm sua origem na alma ou Espírito do médium; mas, para explicar  sua  aptidão,   para tratar de assuntos   fora   dos seus conhecimentos, em lugar de supor nele uma alma múltipla,  atribui  essa  aptidão a uma superexcitação momentânea das faculdades mentais, a uma espécie de estado sonambúlico ou extático, que exalta e desenvolve sua inteligência. Não se pode negar, em certos casos, a influência dessa  causa; mas basta ter visto operar a maioria dos médiuns  para se convencer de que ela não pode resolver todos  os   fatos,   e  que forma a exceção e não a regra. Poder-se-ia crer que assim ocorre, se o médium tivesse sempre o ar de um inspirado ou de um extático, aparência, aliás, que poderia perfeitamente simular se quisesse representar uma comédia; mas, como crer na inspiração, quando o médium escreve como uma máquina, sem ter a menor


(1) Comunhão. A luz do fenômeno do Espírito. Mesas falantes, sonâmbulos, médiuns, milagres. Magnetismo espiritual: poder da prática da fé. Por Emah Tirpsé, uma alma coletiva escrevendo por intermédio de uma prancheta. Bruxelas, 1858, Casa Devroye.