O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO IV 502

consciência  daquilo  que obtém, sem a menor emoção, sem se   ocupar   do   que faz,  olhando  para   outra  parte,   rindo e   fazendo   diferentes coisas? Concebe-se a superexcitação das idéias, mas não se compreende como possa fazer escrever àquele que não sabe escrever, e ainda mais quando  as  comunicações   são transmitidas por pancadas, ou com a ajuda de uma prancheta ou de uma cesta. Veremos, na continuação desta obra, a parte que é preciso conceder à   influência das idéias do médium; mas os fatos nos quais a inteligência estranha se revela por sinais incontestáveis  são  tão   numerosos   e  evidentes, que não podem deixar dúvida a seu respeito. O erro da maioria dos sistemas nascidos   na origem do   Espiritismo, foi ter tirado conclusões gerais de alguns fatos isolados.

46. Sistema pessimista, diabólico ou demoníaco. Aqui entramos em outra ordem de idéias. Estando constatada a intervenção  de uma inteligência estranha, tratava-se de saber qual era a natureza dessa inteligência. O meio mais simples era, sem dúvida, o de perguntar-lhes; mas certas pessoas não encontravam nisso uma garantia suficiente, e não quiseram ver, em todas as manifestações, senão uma obra diabólica; segundo eles, só o diabo ou os demônios podiam  se  comunicar.  Embora  esse sistema encontre pouco eco hoje, não deixou de gozar, por momentos, de algum  crédito, pelo  caráter  daqueles   que  procuram fazê-lo prevalecer.   Faremos   notar  todavia,   que os partidários do  sistema  demoníaco  não devem ser colocados entre os adversários do Espiritismo, bem ao contrário. Que os seres que se comunicam sejam demônios ou anjos, são sempre seres   incorpóreos;   ora,   admitir   a manifestação dos demônios,  é  sempre admitir a possibilidade de se comunicar com   o   mundo invisível, ou, pelo menos, com uma parte desse mundo.

A crença  na  comunicação exclusiva dos demônios, por irracional que seja, podia   não parecer impossível quando   se   consideravam os Espíritos como seres criados fora da   Humanidade; mas, desde que se sabe que os Espíritos  não  são   outra coisa que as almas daqueles que vive-