O LIVRO DOS MÉDIUNS - PRIMEIRA PARTE - CAPÍTULO IV 507

Cristo  segundo outros,   que   toma todas as formas; mas, não nos dizem por que   os   outros  Espíritos não podem se

comunicar, com qual objetivo o Espírito de Verdade viria nos enganar, apresentando-se sob falsas aparências, iludir uma pobre mãe, fazendo-a  crer,   mentirosamente,   que  ele é o filho por quem chora. A   razão   se recusa a admitir que o Espírito Santo, entre todos, se rebaixe para executar uma semelhante comédia. De outra parte, negar a possibilidade de qualquer outra comunicação, não é tirar do Espiritismo o que tem de mais doce: o consolo dos aflitos? Digamos, muito simplesmente, que um semelhante sistema é irracional e não pode suportar um exame sério.

49. Sistema multiespírita ou poliespírita. Todos os sistemas que passamos em revista, sem excetuar os que são no sentido negativo, repousam sobre algumas observações, mas incompletas ou mal interpretadas. Se uma casa é vermelha  de  um   lado e branca do outro,  aquele que não a   tenha  visto  senão  de  um lado afirmará que é vermelha, um   outro   que   é branca: todos os dois estarão em erro e com razão; mas aquele que tenha visto a casa de todos os lados dirá que é vermelha e branca, e será o único com a verdade. Ocorre o mesmo com relação à opinião que se faz do Espiritismo: pode ser verdadeira em certos aspectos, e falsa  se  se generaliza   o   que não é senão parcial, se se toma  por regra o que não é senão exceção, pelo todo o que não é senão a parte. Por isso dissemos que quem quer estudar   seriamente   esta   ciência deve ver muito e por muito tempo; somente o tempo lhe permitirá apanhar os detalhes, notar as nuanças delicadas, observar uma multidão de  fatos   característicos   que  serão para ele raios de luz; mas se se  detém  na superfície, expõe-se a formar um julgamento   prematuro  e, por conseqüência, errôneo. Eis aqui as conseqüências  gerais que   foram deduzidas de uma observação  completa, que formam atualmente a crença, pode-se   dizer,  da   universalidade  dos   Espíritas,  porque os sistemas     restritivos   não são mais do que opiniões isoladas.

1º Os fenômenos espíritas são produzidos por inteligências extra-corpóreas, ou melhor dito, pelos Espíritos.