O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO I 517

a   tenacidade nem a  rigidez da matéria compacta do corpo; se podemos nos exprimir assim, ela é flexível e expansível; por isso a forma que toma, se bem que calcada sobre a do  corpo,  não   é  absoluta; amolda-se à vontade do Espírito, que pode lhe dar tal ou tal aparência a seu gosto, enquanto o envoltório sólido lhe oferece uma resistência insuperável. Desembaraçado desse entrave que o comprimia,   o perispírito se expande ou se contrai, se transforma, em uma palavra, se presta a todas as metamorfoses, segundo a vontade que age sobre ele. É por conseqüência dessa  propriedade   de  seu   envoltório fluídico que o Espírito, que quer se fazer reconhecer, pode, quando necessário, tomar a exata  aparência que  tinha em sua vida, mesmo a de acidentes corporais que podem ser sinais de reconhecimento.

Os Espíritos, como se vê, são pois, seres semelhantes a nós, formando, ao nosso redor, toda uma população invisível em seu estado normal; dizemos em seu estado normal, porque, como veremos, essa invisibilidade não é absoluta.

57. Voltemos  à   natureza   do   perispírito, porque ela é  essencial  para a explicação que vamos dar. Nós dissemos que, embora fluídica,  não deixa de ser uma espécie de matéria,  e  isso   resulta do fato das aparições tangíveis, sobre  as  quais  voltaremos. Viu-se,   sob  a  influência  de certos  médiuns, aparecerem mãos com todas as propriedades de  mãos  vivas,    que  têm  calor,   que se podem apalpar, que oferecem a resistência de um corpo sólido, que vos agarram e, de repente, se esvanecem como uma sombra. A ação inteligente dessas mãos que, evidentemente, obedecem a uma vontade em executando certos movimentos, tocando mesmo melodias em um instrumento, provam que elas são a parte   visível  de um ser inteligente invisível. Sua  tangibilidade, sua temperatura, em uma palavra, a impressão que fazem   sobre os sentidos, se a viu deixar marcas sobre a pele, dar golpes dolorosos, ou acariciar delicadamente, provam que são de matéria qualquer. Sua desaparição  instantânea   prova,  por  outro  lado,   que  essa    matéria  é  eminentemente sutil  e  se comporta como