O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO I 518

certas   substâncias  que   podem passar, alternativamente, do   estado  sólido   para   o   estado fluídico, e reciprocamente.

58 A natureza  íntima do Espírito propriamente dito, quer dizer, do ser pensante, nos é inteiramente desconhecida; não se revela a nós senão por seus atos, e seus atos não podem  impressionar  nossos  sentidos materiais senão por um   intermediário material. O Espírito tem, pois, necessidade de matéria. Tem por instrumento direto seu perispírito, como  o  homem  tem  seu corpo; ora, seu perispírito é matéria, como acabamos de ver. Tem, em seguida, por agente intermediário, o fluido universal, espécie de veículo sobre o qual age, como nós agimos sobre o ar para produzir certos efeitos com a ajuda da dilatação,da compressão, da propulsão ou das vibrações.

Considerada  dessa maneira, a ação do Espírito sobre a matéria se concebe facilmente; e compreende-se, desde logo,   que todos os efeitos que dela resultam entram na ordem dos fatos naturais, e nada têm de maravilhoso. Não pareceram  sobrenaturais  senão porque não se lhes conhecia a causa; conhecida a causa, o maravilhoso desaparece, e esta causa está toda inteira nas propriedades semi-materiais  do  perispírito.  É  uma nova ordem de fatos, que uma nova lei vem explicar, e da qual não se admirará mais, dentro de algum tempo, como não se admira hoje da correspondência   à  distância  pela  eletricidade  em  alguns minutos.

59. Talvez nos perguntem como o Espírito, com a ajuda   da  matéria tão sutil, pode agir sobre corpos pesados e  compactos,  erguer mesas, etc. Seguramente, não seria um homem de ciência quem poderia fazer semelhante objeção; porque, sem falar das propriedades desconhecidas que  pode  ter   esse novo agente, não temos sob nossos olhos exemplos análogos? Não é nos gases mais rarefeitos, nos  fluidos imponderáveis, que a industria encontra seus mais poderosos motores? Quando se vê o ar derrubar edifícios, o vapor arrastar massas enormes, a pólvora gaseificada levantar as rochas, a eletricidade destruir árvores e