O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO II 521

consagram dois invernos ao mesmo passatempo, e que, coisa prodigiosa  para elas! dispensaram três ou quatro a este. Para as pessoas graves e observadoras, daí saiu alguma coisa de sério que prevaleceu; se negligenciaram as mesas girantes, foi para ocuparem-se das conseqüências muito mais importantes em seus resultados: trocaram o alfabeto pela ciência e eis todo o segredo deste aparente abandono do qual tanto ruído fizeram os ridicularizadores.

Como quer  que  seja,  as mesas girantes não deixam de  ser  o   ponto  de   partida da Doutrina Espírita, e a esse título nós lhes devemos algum desenvolvimento, tanto mais que,  apresentando os fenômenos em sua maior simplicidade,  o  estudo  das  causas será mais fácil, e a teoria, uma vez  estabelecida,  nos  dará  a  chave dos efeitos mais complicados.

61. Para a produção do fenômeno, é necessário a intervenção de uma ou várias pessoas dotadas de aptidão especial, e que se designam sob o nome de médiuns. O número dos cooperadores é indiferente, a não ser que, na quantidade, pode-se encontrar alguns médiuns desconhecidos. Quanto àqueles cuja mediunidade é nula, sua presença é sem nenhum resultado, e mesmo mais nociva que útil, pela disposição de espírito que, freqüentemente, carregam.

Os médiuns gozam, sob esse aspecto, de uma força mais ou menos grande e produzem, em conseqüência, efeitos mais ou menos pronunciados; freqüentemente uma pessoa, médium poderoso, produzirá ela sozinha mais do que vinte outras reunidas; lhe bastará pousar a mão sobre a mesa para que no instante se mova, se eleve, tombe, dê saltos, ou gire com violência.

62. Não há  nenhum   indício  da faculdade mediúnica; só  a  experiência pode fazê-la conhecer. Quando, em uma reunião, se quer ensaiar, é preciso muito simplesmente sentar-se ao redor de uma mesa, pousar as mãos estendidas em cima, sem pressão nem contenção muscular. No princípio, como se ignorasse a causa do fenômeno, se havia indicado várias precauções, depois reconhecidas como absolutamente inúteis; tal é, por exemplo, a alternância dos sexos;