O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO III 524

MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES

65. No que acabamos de ver, nada, seguramente, revela a intervenção de uma força oculta, e esses efeitos poderiam perfeitamente se explicar pela ação de uma corrente magnética ou elétrica, ou a de um fluido qualquer. Tal foi, com efeito, a primeira solução dada a esses fenômenos, e que podia, com razão, passar por muita lógica. Haveria, sem dúvida, prevalecido, se outros fatos não tivessem vindo demonstrar-lhe a insuficiência; esses fatos são as provas de inteligência que deram; ora, como todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente, resta evidente que lhe admitindo mesmo que a eletricidade ou outro fluido tenha nele um papel, a ele se mistura uma outra causa. Qual seria? Qual seria essa inteligência? Foi o que a continuação das observações fez conhecer.

66. Para que a manifestação seja inteligente, não é necessário que seja eloqüente, espirituosa ou sábia; basta que prove um ato livre e voluntário, exprimindo uma intenção ou respondendo a um pensamento. Seguramente, quando se vê um catavento agitado pelo vento, se está bem certo de que ele não obedece senão a um impulso mecânico; mas se se reconhece, nos movimentos do catavento, sinais intencionais, se ele vira à direita ou à esquerda, rápido ou com lentidão ao comando, seria forçoso admitir não que o catavento é inteligente, mas que obedece a uma inteligência. Foi ao que se chegou pela mesa.

67. Vimos a mesa se mover, se erguer, dar pancadas,