O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO IV 532

13. Se compreendemos bem o que dissestes, o princípio vital reside no fluido universal; o Espírito toma nesse fluido o envoltório semi-material que constitui seu perispírito, e é por esse meio que age sobre a matéria inerte. É isso?

Sim; quer dizer que ele anima a matéria de uma espécie   de vida factícia: a matéria se anima da vida animal. A mesa que se move sob vossas mãos vive, como o animal; obedece por si mesma ao ser inteligente. Não é este que a ergue como o homem faz com um fardo; quando a mesa se eleva,  não  é  o  Espírito que a levanta à força de braços, é a  mesa  animada  que obedece ao impulso dado pelo Espírito.

14. Qual é o papel do médium nesse fenômeno?

Já o disse, o fluido próprio do médium se combina com o fluido universal acumulado pelo Espírito; é necessária a união desses dois fluidos, quer dizer, do fluido animalizado com o   fluido   universal,   para dar vida à mesa. Mas, note bem,   que esta vida não é senão momentânea; ela se extingue  com  a  ação e, muitas vezes, antes do fim da ação, logo que a quantidade  de  fluido   não  é  mais  suficiente para animá-la.

15. O Espírito pode agir sem o concurso de um médium?

Pode  agir  com  desconhecimento  do   médium; quer dizer  que   muitas  pessoas servem de auxiliares dos Espíritos para  certos  fenômenos,  sem  disso  desconfiarem.   O Espírito  toma  delas, como de uma fonte, o fluido animalizado de  que  tem  necessidade; é assim que o concurso de um  médium,  tal  como  entendeis,  não é necessário, e é o que  tem  lugar,  sobretudo,  nos  fenômenos  espontâneos.

16. A  mesa  animada  age  com  inteligência? Ela pensa?

Ela não  pensa mais do que um bastão com a qual fazeis um sinal inteligente, mas a vitalidade de que está animada  lhe permite obedecer ao impulso de uma inteligência. Sabei, pois, bem, que a mesa que se move não se