O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO IV 537

ambigüidade; delas ressalta esse ponto capital de que o fluido universal, no qual reside o princípio da vida, é o agente principal das manifestações, e que esse agente recebe seu impulso do Espírito, seja este encarnado ou errante. Esse fluido condensado constitui o perispírito ou envoltório semi-material do Espírito. No estado de encarnação, o perispírito está unido à matéria do corpo; no estado de erraticidade, está livre. Quando o Espírito está encarnado, a substância do perispírito está mais ou menos ligada, mais ou menos aderente, se se pode exprimir assim. Entre certas pessoas, há uma espécie de emanação deste fluido, por conseqüência de seu organismo, e isto é, propriamente falando, o que constitui os médiuns de influências físicas. A emissão   do  fluido  animalizado    pode ser mais  ou  menos abundante,  sua  combinação mais ou menos fácil e daí  os  médiuns mais ou menos potentes; não é também  permanente,  o  que   explica a intermitência da força.

76. Citemos uma comparação. Quando se tem vontade de agir materialmente sobre um ponto qualquer colocado à distância, é o pensamento que quer, mas o pensamento sozinho não irá tocar esse ponto; necessita de um intermediário que ele dirige; um bastão, um projétil, uma corrente de ar, etc. Notai também que o pensamento não age  diretamente  sobre  o  bastão,  porque   se não o toca, não agirá por si mesmo. O pensamento, que não é outro senão o Espírito encarnado em nós, está unido ao corpo pelo  perispírito; ora, ele não pode mais agir sobre o corpo sem o perispírito, como não pode agir sobre o bastão sem o corpo; age  sobre   o  perispírito, porque é a substância com a qual tem mais afinidade; o perispírito age sobre os músculos,  os  músculos  pegam o bastão, e o bastão toca o objeto.  Quando  o Espírito não está encarnado, lhe é necessário um auxiliar estranho; esse auxiliar é o fluido com a ajuda do qual torna o objeto próprio para seguir o impulso de sua vontade.

77. Assim, quando  um  objeto é posto em movimento,   elevado ou   lançado  no   ar,  não é o Espírito quem o pega,  o  empurra e o ergue como faríamos com a mão; ele o satura,  por  assim  dizer, do seu fluido combinado com o