O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO IV 538

do médium, e o objeto, assim momentaneamente vivificado, age como o faria um ser vivente, com a diferença que, não tendo vontade própria, segue o impulso da vontade do Espírito.

Uma  vez que o fluido vital, compelido de alguma forma pelo  Espírito, dá  uma  vida   factícia e momentânea aos  corpos inertes,  que   o   perispírito   não   é outra coisa que esse fluido vital,  segue-se que   quando  o   Espírito está   encarnado, é ele que dá a vida ao seu corpo por intermédio  do perispírito; a ele fica unido enquanto o organismo lhe permita; quando se retira, o corpo morre. Agora, se no lugar  de  uma mesa se talha uma estátua de madeira, e se age sobre esta estátua como sobre a mesa, ter-se-á uma estátua   que se  desloca,   que   bate,  que   responde por seus movimentos e por suas pancadas; ter-se-á, em uma palavra, uma estátua momentaneamente animada de uma vida   artificial;   tem-se   dito as  mesas  falantes  e,   poder-se-ia  também dizer as estátuas falantes. Que luz esta teoria  não  derrama  sobre uma multidão de fenômenos até agora  sem solução! Que alegorias e efeitos  misteriosos não explica!

78. Os  incrédulos  também  objetam   que  o fato da suspensão  da mesa sem ponto de apoio é impossível, porque  é contrário à lei da gravidade. Responderemos, desde logo, que sua negação não é uma prova; em segundo lugar, que, se o fato existe, por mais contrário a todas as leis conhecidas, isso provaria uma coisa: que repousa sobre uma lei desconhecida e que os negadores não podem ter a pretensão de conhecer todas as leis da Natureza. Acabamos  de  explicar  esta lei, mas não é uma razão para que seja  aceita  por  eles,  precisamente  porque foi dada pelos  Espíritos que tiraram sua roupa terrestre, em lugar de ser por  Espíritos que a têm ainda e que se sentam na Academia.  De tal sorte que se o Espírito de Arago vivo tivesse apresentado essa lei, a teriam aceito de olhos fechados; mas dada pelo Espírito de Arago morto, é uma utopia,  e  por  que  isso?  Porque  crêem   que  estando  Arago  morto,  tudo   está  morto nele. Não temos a pretensão de   dissuadi-los;   entretanto,  como  esta  objeção   poderia