O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO IV 539

embaraçar  certas  pessoas,  vamos  ensaiar  em  respondê-la,   desde  seu  ponto  de  vista,  quer  dizer,   fazendo  abstração,  por  um   instante,  da   teoria  da   animação    factícia.

79. Quando  se  faz  o vácuo sob a campana da máquina pneumática,  esta campana adere com uma tal força  que  é  impossível  levantá-la por causa do peso da coluna  de  ar  que  pesa  sobre ela. Que se deixe entrar o ar, e  a   campana  se  levanta com a maior facilidade, porque o ar de baixo faz contrapeso com  o ar de cima; entretanto, abandonada a si mesma, ficará sobre o prato em virtude da lei  da gravidade. Agora, que o ar de baixo seja comprimido, que tenha   uma  densidade  maior que a de cima, e a campana será  erguida  malgrado  a lei da gravidade; se a corrente de ar for rápida e violenta, poderá ser sustentada  no  espaço sem  nenhum apoio visível, à maneira desses bonecos que  se faz voltear sobre um jato de água. Por que, pois, o fluido universal, que é o elemento de toda matéria, estando acumulado ao redor da mesa, não teria a propriedade de diminuir-lhe ou aumentar-lhe o peso específico relativo, como o ar o faz com a campana da máquina pneumática, como o gás hidrogênio o faz com os balões, sem que sejam, por isso, derrogadas as leis da gravidade? Conheceis  todas  as  propriedades  e   toda a força  desse  fluido?  Não;  muito  bem!   Não  negueis, pois, um  fato  por  que  não  podeis  explicá-lo.

80. Voltemos à teoria do movimento da mesa. Se, pelo   meio indicado, o Espírito pode levantar uma mesa, pode  levantar  qualquer  outra   coisa:  uma    poltrona,   por exemplo. Se   pode  levantar  uma poltrona, pode também, com uma força suficiente, levantar, ao mesmo tempo, uma pessoa  sentada  nela.  Eis,   pois, a explicação desse fenômeno   que  o Sr. Home  produziu   cem vezes, em si mesmo e sobre outras pessoas; ele o renovou durante uma viagem  a  Londres,  e, a   fim   de provar que os espectadores não eram joguete de uma ilusão de ótica, fez no teto uma marca   com   lápis,  e passou sob ela. Sabe-se que o Sr. Home  é  um  poderoso  médium  para   os efeitos   físicos; era,   nesse  caso,  a  causa  eficiente  e  o  objeto.