O LIVRO DOS ESPÍRITOS - INTRODUÇÃO 54

não ocorrem senão nos centros sérios, naqueles cujos membros estão unidos por uma comunhão de pensamentos para o bem.

A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: "Agir para com os outros como quereríamos que os outros agissem para conosco"; quer dizer, fazer o bem e não fazer o mal. O homem encontra neste princípio a regra universal de conduta para as suas menores ações.

Eles nos ensinam que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade, são paixões que nos aproximam da natureza animal e nos prendem à matéria; que o homem que, desde este mundo, se desliga da matéria pelo desprezo das futilidades mundanas, e pelo amor ao próximo, se aproxima da natureza espiritual; que cada um de nós deve se tornar útil segundo suas faculdades e os meios que Deus colocou entre suas mãos para o provar; que o Forte e o Poderoso devem apoio e proteção ao Fraco, porque aquele que abusa de sua força e do seu poder, para oprimir seu semelhante, viola a lei de Deus. Ensinam, enfim, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo ser oculto, o hipócrita será desmascarado e todas as suas torpezas descobertas; que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com os quais agimos mal, é um dos castigos que nos estão reservados; que ao estado de inferioridade e de superioridade dos Espíritos são fixados penas e gozos que nos são desconhecidos sobre a Terra.

Mas eles nos ensinaram também que não há faltas irremissíveis, e que não possam ser apagadas pela expiação. O homem encontra o meio, nas diferentes existências, que lhe permite avançar, segundo seu desejo e seus esforços, na senda do progresso e na direção da perfeição que é seu objetivo final".

Este é o resumo da Doutrina Espírita, como resulta do ensinamento dado pelos Espíritos superiores. Vejamos agora as objeções que se lhe opõem.

VII

Para muitas pessoas, a oposição dos cientistas se não é uma prova, é pelo menos uma forte presunção contrária. Não somos daqueles que se levantam contra os sábios, porque não queremos que digam que os insultamos; temo-los, ao contrário, em grande estima, e seríamos muito honrados de estar entre eles. Mas sua opinião não poderia ser, em todas as circunstâncias, um julgamento irrevogável.

Desde que a Ciência sai da observação material dos fatos, e trata de apreciar e de explicar esses fatos, o campo está aberto às conjecturas. Cada um traz seu pequeno sistema, que quer fazer