O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO V 556

98. A teoria do fenômeno de transporte, e das manifestações físicas em geral, se encontra resumida, de maneira notável, na dissertação seguinte, por um Espírito cujas   comunicações  têm um  caráter incontestável    de profundidade   e  de lógica. Encontrar-se-ão   diversas  no desenrolar desta obra. Faz-se conhecer sob o nome de Erasto, discípulo  de   São Paulo,  e  como  Espírito protetor do médium que lhe serviu de intérprete:

Necessariamente,   é preciso, para se obterem fenômenos desta ordem, ter consigo médiuns  que eu chamaria   sensitivos,   quer  dizer,  dotados,  no mais alto grau, de faculdades  medianímicas   de expansão e de penetrabilidade;  porque  o sistema nervoso destes médiuns, facilmente  excitável,  lhes  permite,  por  meio de certas vibrações, projetar ao seu redor, com profusão, seu fluido animalizado.

As naturezas  impressionáveis,  as  pessoas   cujos nervos    vibram ao menor sentimento, à menor sensação, que  a   influência   moral ou   física,   interna  ou externa, sensibiliza, são   pessoas  muito aptas  a se tornarem excelentes médiuns  para  os   efeitos   físicos  de  tangibilidade e de transporte.  Com  efeito,  seu  sistema nervoso, quase   inteiramente  desprovido   da  capa  refratária  que isola esse sistema na maioria  dos outros  encarnados,  os torna  próprios  ao   desenvolvimento destes diversos fenômenos.  Em   conseqüência,   com um sujeito dessa natureza, cujas outras  faculdades  não são hostis à mediunização, se obterão,   mais  facilmente, os fenômenos de tangibilidade, as   pancadas  dadas  nas paredes e nos móveis, os movimentos   inteligentes, e mesmo a suspensão no   espaço da  mais  pesada  matéria   inerte.    A   fortiori, se obterão estes  resultados  se, no lugar de um médium, se   tiver, à mão,  vários outros    igualmente   bem    dotados.

Mas, da produção  desses  fenômenos  à  obtenção dos fenômenos de  transporte,   há   todo   um  mundo; porque, neste caso, não só o trabalho do Espírito é mais complexo, mais difícil, mas, bem mais, o Espírito não pode