O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO V 560

Quando   um fenômeno de tangibilidade, de aparição, de   visibilidade ou transporte se manifesta espontaneamente e de um modo instantâneo, aceitai-o; mas, não seria  demais vos repetir, não aceiteis nada cegamente; que cada fato sofra um exame minucioso, aprofundado e severo; porque, crede-o, o Espiritismo, tão rico de fenômenos sublimes   e grandiosos, nada tem a ganhar com essas pequenas manifestações que hábeis prestidigitadores podem imitar.

Sei muito bem o que vais me dizer: que esses fenômenos são úteis para convencer aos incrédulos; mas sabei que, se não tivésseis   outros   meios de convicção, não teríeis, hoje, a centésima parte dos espíritas que tendes. Falai ao coração,  é por aí que fareis mais conversões sérias. Se credes  útil,  para  certas  pessoas,  agir  pelos  fatos materiais, apresentai-os menos em circunstâncias tais que não possam dar lugar a nenhuma interpretação falsa e, sobretudo, não  vos  afasteis das  condições  normais  desses fatos, porque os fatos apresentados em más condições fornecem argumento  aos  incrédulos,  em   lugar de convencê-los.

Erasto

99. Este fenômeno oferece uma particularidade bastante singular, e é que certos médiuns não o obtém senão no estado sonambúlico; e isso se explica facilmente. Há, no sonâmbulo, um despreendimento natural, uma espécie de isolamento do Espírito e do perispírito que deve facilitar a combinação dos fluidos necessários. Tal é o caso dos transportes, dos quais fomos testemunha. As questões seguintes foram endereçadas ao Espírito que os havia produzido, mas suas respostas, por vezes, de sua insuficiência; nós as submetemos ao Espírito Erasto, muito mais esclarecido do ponto de vista teórico, e que as completou com observações muito judiciosas. Um é o artesão, o outro o sábio, e a própria comparação dessas duas inteligências é um  estudo   instrutivo, porque prova que não basta ser Espírito para tudo compreender.

1. Rogo-vos   nos   dizer   por  que  o   transporte   que