O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO VI 577

apartamento ou dele saírem, circular entre a multidão de vivos,  tendo  ares  de,  pelo  menos  para os Espíritos vulgares,  tomar  parte  ativa  em  tudo  o que se faz ao seu derredor, e se interessar por tudo e escutar o que se diz. Comumente se as vê se aproximarem de uma pessoa, lhe soprarem idéias, a influenciarem, consolá-la se são boas, escarnecendo-as se são malignas, mostrando-se tristes ou contentes  do resultado  que  obtêm;  em  uma   palavra,  são o  forro  do  mundo   corporal.  Tal é esse mundo oculto que nos rodeia, no meio do  qual  vivemos  sem  disso  desconfiarmos,  como   vivemos sem  desconfiarmos mais no meio de miríades do mundo microscópico. O miroscópio nos revelou   o   mundo  dos infinitamente pequenos que não supúnhamos;  o  Espiritismo,  com  a  ajuda dos médiuns videntes,   nos  revelou  o  mundo dos Espíritos, que é também uma das forças ativas da Natureza. Com a ajuda dos médiuns videntes, pudemos estudar o mundo invisível, iniciar-nos  em  seus  hábitos, como um povo de cegos poderia estudar o mundo visível com a ajuda de alguns homens que gozassem da visão (Ver adiante no capítulo dos  médiuns,  o  artigo  concernente  aos  médiuns  videntes).

104. O   Espírito  que  quer  ou pode aparecer revestido, algumas vezes,  de  uma  forma  ainda mais nítida, tendo todas as aparências de um corpo sólido, ao ponto de produzir   uma  ilusão completa e fazer crer que se está diante de um ser corporal. Em alguns casos, enfim, e sob o império de certas circunstâncias, a tangibilidade pode tornar-se real,   quer  dizer,  se  o  pode   tocar, apalpar, sentir a   mesma  resistência,  o  mesmo   calor como   da parte de um   corpo   vivo,  o  que  não impede de se desvanecer com a  rapidez  do   relâmpago.  Então,  não  é  mais  pelos  olhos que se lhe constata a presença, mas pelo toque. Se se podia atribuir  à   ilusão,  ou   a uma espécie de fascinação, a aparição   simplesmente   visual, não é mais permitida a dúvida   quando  se pode agarrá-la, palpar, quando ela mesma nos agarra e nos aperta. Os fatos de aparições tangíveis são os mais raros; mas aqueles que ocorreram nestes últimos  tempos,  pela  influência  de  alguns médiuns