O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO VI 582

ela   será, sem dúvida, completada ou retificada mais tarde por  novos estudos, mas, por incompleta ou imperfeita que seja  hoje, pode sempre ajudar a entender a possibilidade dos fatos   por  causas  que nada têm de sobrenatural; se é uma hipótese não se lhe pode recusar o mérito da racionalidade e da probabilidade, e vale tanto como todas as explicações que dão os negadores para provar que tudo não é senão ilusão, fantasmagoria e subterfúgio nos fenômenos espíritas.

TEORIA DA ALUCINAÇÃO

111. Os que não admitem o mundo incorpóreo e invisível, crêem tudo explicar com a palavra alucinação. A definição  dessa  palavra é conhecida: Um erro, uma ilusão de uma pessoa que crê ter percepções que, realmente, não tem (do latim hallucinari, erro, feita de ad lucem); mas os sábios, que saibamos, ainda não deram a sua razão fisiológica.

A ótica e a fisiologia, não parecendo se lhes ter mais segredos, como ocorre que não tenham ainda explicado a natureza e a origem das imagens que se oferecem ao espírito em certas circunstâncias?

Querem tudo explicar pelas leis da matéria, seja; que dêem pois, por essas leis, uma teoria da alucinação; boa ou má, será sempre uma explicação.

112. A causa dos sonhos jamais foi explicada pela ciência; atribuem-na a um efeito da imaginação; mas não diz o que é a imaginação, nem como produz essas imagens tão claras e tão nítidas que algumas vezes nos aparecem; é explicar uma coisa que não é conhecida por uma outra também desconhecida e a questão permanece toda inteira. É, diz-se, uma lembrança das preocupações da vigília; mas, admitindo mesmo esta solução, que não o é, restaria ainda saber qual é esse espelho mágico que assim conserve a impressão das coisas; como explicar, sobretudo, essas visões de coisas reais que jamais se viram no estado de vigília, e aquelas  mesmo  em  que  jamais  se  pensou? Só o Espiritis-