O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO VI 584

organismo; mas, ao lado das visões reais, há alucinações no sentido ligado a essa palavra? Isso não é duvidoso. Qual é sua origem? São os Espíritos que vão nos colocar na pista, porque a explicação nos parece inteiramente contida nas respostas dadas às questões seguintes:

As visões são sempre reais ou, algumas vezes são o efeito da alucinação? Quando se vê, em sonho ou de outro modo, o diabo, por exemplo, ou outras coisas fantásticas que não existem, isso não é um produto da imaginação?

Sim, algumas vezes, quando se está impressionado por certas leituras ou por histórias de feitiçaria que impressionam, se se as recorda pode-se crer ver o que não existe. Mas dissemos também que o Espírito, sob seu envoltório semi-material, pode tomar todas as espécies de formas para se manifestar. Um Espírito zombeteiro pode, pois, aparecer com chifres e garras se isso lhe apraz, para se divertir com a credulidade, como um bom Espírito pode se mostrar com asas e uma figura radiosa.

Podem-se considerar como sendo aparições as figuras e outras imagens que se apresentam, freqüentemente, no semi-sono, ou  simplesmente  quando  se fecham os olhos?

Desde que os sentidos se entorpecem, o Espírito se desliga e pode ver ao longe ou perto aquilo que não podia ver com os olhos. A miúdo, essas imagens são visões, mas podem ser também um efeito de impressão que a visão de certos objetos deixou no cérebro que lhes conservou os traços  como  conserva  os  sons.   O Espírito liberto vê, então, em seu próprio cérebro as impressões que nele se fixaram como sobre uma chapa de daguerreotipia. Sua variedade e sua mistura  formam  os  conjuntos  bizarros  e fugidios que se apagam quase  que  imediatamente,  malgrado os esforços que se façam para retê-los. A uma causa semelhante é preciso atribuir certas aparições fantásticas que nada têm de real e que, freqüentemente, se produzem no estado de enfermidade.

Consta que a memória é o resultado das impressões conservadas  pelo  cérebro;   por qual singular fenômeno essas impressões tão variadas, tão múltiplas, não se confun-