O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO VI 585

dem? Aí está um mistério impenetrável, mas que não é mais estranho do que o das ondas sonoras que se cruzam no ar e não ficam menos distintas. Em um cérebro sadio e bem organizado, essas impressões são nítidas e precisas; em um estado menos favorável se apagam e se confundem; daí a perda da memória ou a confusão das idéias. Isso parece ainda menos extraordinário se se admite, como em frenologia, uma distinção especial a cada parte, e mesmo a cada fibra do cérebro.

As imagens chegadas ao cérebro pelos olhos aí deixam,  pois, uma  impressão, que faz com que se lembre de um quadro como se ele estivesse diante de si, mas sempre isso  não é senão uma questão de memória, porque não se o  vê  mais;  ora,  em  um certo estado de emancipação, a alma  vê  no  cérebro  e reencontra essas imagens; sobretudo aquelas que mais o impressionaram segundo a natureza das preocupações ou as disposições do espírito, e é assim que reencontra a impressão de cenas religiosas, diabólicas, dramáticas, mundanas, de figuras de animais bizarros  que  viu em  uma outra época em   pintura  ou mesmo em narrações, porque as narrações também deixam impressões. Assim, a alma vê realmente, mas vê apenas uma imagem daguerreotipada no cérebro. No estado normal essas imagens são fugidias e efêmeras, porque todas as partes cerebrais funcionam livremente; mas, no estado de enfermidade, o cérebro está sempre mais ou menos enfraquecido, não existe equilíbrio entre todos os órgãos, alguns somente conservam sua atividade, enquanto que outros estão de alguma sorte paralisados; daí a permanência  de  certas imagens que não são mais apagadas, como no  estado  normal,  pelas  preocupações da   vida   exterior. Aí  está  a  verdadeira   alucinação e a causa primeira das idéias fixas.

Como  se   vê,  nos  inteiramos  dessa  anomalia por uma lei fisiológica bem conhecida, a das impressões cerebrais, mas sempre nos foi necessário fazer a alma intervir; ora, se os materialistas não podem ainda dar uma solução satisfatória desse fenômeno, é porque não querem admitir a alma; também  dirão que nossa explicação é má, porque colocamos como princípio o que é contestado. Contestado