O LIVRO DOS ESPÍRITOS - INTRODUÇÃO 59

mo o dissemos, a destreza mais completa de poder participar, em que o seja, no traçado dos caracteres. Mas admitamos, ainda, que por uma agilidade maravilhosa ele possa enganar o olhar mais perscrutador; como explicar a natureza das respostas, quando elas estão fora de todas as idéias e de todos os conhecimentos do médium? E note-se que não se trata de respostas monossilábicas mas, freqüentemente, de várias páginas escritas com a mais espantosa rapidez, seja espontaneamente, seja sobre um assunto determinado; sob a mão do médium, mais estranho à literatura, nascem, algumas vezes, poesias de uma sublimidade e de uma pureza irrepreensíveis, e que não renegariam os melhores poetas humanos. O que se adita, ainda, à estranheza desses fatos é que eles se produzem por toda parte e que os médiuns se multiplicam ao infinito. São esses fatos reais ou não? Para isso não temos senão uma coisa a responder: vede e observai, as ocasiões não vos faltarão, mas, sobretudo, observai com freqüência, por longo tempo, e segundo as condições necessárias.

Diante da evidência, que respondem os antagonistas? Sois, dizem eles, vítimas do charlatanismo ou joguetes de uma ilusão. Diremos primeiro que é preciso afastar a palavra charlatanismo de onde não há proveito; os charlatães não fazem seu trabalho de graça. Seria, pois, tudo no mais uma mistificação. Mas, por que estranha coincidência, esses mistificadores se teriam entendido dum extremo ao outro do mundo para agir da mesma maneira, produzir os mesmos efeitos e dar sobre os mesmos assuntos e em línguas diversas, respostas idênticas, senão quanto às palavras, ao menos quanto ao sentido? Como pessoas graves, sérias, honradas, instruídas se prestariam a semelhantes manobras e com que fim? Como encontrar-se entre as crianças a paciência e a habilidade necessárias? Porque se os médiuns não são instrumentos passivos lhes é preciso uma habilidade e conhecimentos incompatíveis com certa idade e certas posições sociais.

Então, acrescentam que, se não há fraude, os dois lados podem ser vítimas de uma ilusão. Em boa lógica, a qualidade dos testemunhos tem um certo peso; ora, está aqui o caso de se perguntar se a Doutrina Espírita, que conta hoje, seus adeptos aos milhares, não os recruta senão entre os ignorantes? Os fenômenos sobre os quais ela se apóia são tão extraordinários que concebemos a dúvida; mas, o que não se poderia admitir é a pretensão de certos incrédulos ao monopólio do bom senso, e que, sem respeito pelas conveniências ou o valor moral de seus adversários, taxam, sem cerimônia, de ineptos todos aqueles que não têm a sua opinião. Aos olhos de toda pessoa judiciosa, a opinião das pessoas esclarecidas que por muito tempo viram, estudaram e meditaram