O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO VII 590

disse que já tinha visto esse senhor em igual dia do ano precedente.   O  casamento  foi  realizado.  Isso  foi em 1835 e,  nessa  época,  não  havia  a  questão  dos  Espíritos e, aliás,   um  e  outra  são pessoas de um positivismo extremo e de imaginação a menos  exaltada  que  há   no mundo.

Dir-se-á, talvez, que ambos tinham o espírito impressionado  pela   idéia de união proposta e que essa preocupação determinou uma alucinação; mas é preciso não esquecer que o marido lhe era tão indiferente que ficou um ano sem ir ver a sua pretendida. Admitindo-se mesmo essa hipótese, restaria para ser explicada a dupla aparição, a coincidência  do  traje  com o do dia de Corpus Christi e, enfim, o reconhecimento físico entre pessoas que jamais se viram, circunstâncias que não podem ser o produto da imaginação.

118. Antes  de  ir  mais  longe,  devemos responder imediatamente a uma questão que não se pode deixar de indagar, que é a de saber-se como o corpo pode viver enquanto o Espírito está ausente. Poderíamos dizer que o corpo pode viver da vida orgânica que independe da presença do Espírito, e a prova disto é que as plantas vivem e não têm Espírito; mas devemos acrescentar que, durante a  vida, o  Espírito  jamais  está  completamente  desligado do corpo. Os Espíritos, da mesma forma que certos médiuns videntes,  reconhecem  o  Espírito  de  uma  pessoa  viva pelo rastro luminoso que chega ao seu corpo, fenômeno que jamais ocorre quando o corpo está morto, porque então a separação é completa. Por essa comunicação o Espírito é advertido instantaneamente, a qualquer distância que esteja, da necessidade que o corpo pode ter da sua presença, e então ele volta com a prontidão do relâmpago. Disso resulta que o corpo jamais pode morrer estando ausente o Espírito, e jamais pode ocorrer que este, no seu retorno, encontre a porta fechada, como  disseram   alguns romancistas  em  suas  histórias  de  pura  invenção  (O Livro dos Espíritos, nº 400 e seguintes).

119. Voltemos  ao  nosso  assunto.  O Espírito de uma pessoa  viva,   isolado  do  corpo,  pode  aparecer como o