O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO VII 595

rispírito  de  uma  pessoa  viva,  isolado  do   corpo, pode sofrer as mesmas transformações; que essa mudança de estado se opera pela combinação de fluidos. Figuremo-nos, agora,  o perispírito de uma pessoa viva, não mais isolado, mas irradiando ao redor do corpo de maneira a envolvê-lo como  de  um vapor; nesse estado, ele pode sofrer as mesmas modificações que se estivesse separado; se perde sua transparência,  o  corpo  pode desaparecer, tornar-se invisível e ser velado como se estivesse mergulhado numa neblina.   Poderá  mesmo  mudar de aspecto, tornar-se brilhante se tal é  a  vontade  do  Espírito.  Um  outro  Espírito, combinando seu  próprio  fluido  com o primeiro pode-lhe substi-tuir a própria aparência; de tal sorte que o corpo real desaparece sob  um   envoltório fluídico exterior, cuja aparência pode variar  à vontade do Espírito. Tal parece ser a verdadeira causa do fenômeno estranho, e raro, é preciso dizer, da transfiguração. Quanto à diferença de peso, se explica  do mesmo modo   que  para  os  corpos inertes. O peso  intrínseco  do  corpo  não  varia,  porque  a quantidade da   matéria não varia; mas sofre a influência de um agente exterior que pode aumentar-lhe ou diminuir-lhe o peso relativo, como explicamos acima, nos números 78 e seguintes.  É,  pois, provável que se a transfiguração ocorresse com relação a uma criança, o peso teria diminuído em proporção.

124. Concebe-se que o corpo possa tomar uma outra aparência de maior ou menor dimensão; mas como poderia tomar uma dimensão menor, a de uma criança, como acabamos de dizer? Nesse caso, o corpo real não deveria ultrapassar os limites do corpo aparente? Também não dissemos que o fato se tenha produzido; apenas quisemos mostrar, em nos reportando  à  teoria  do  peso específico, que o peso aparente teria podido diminuir. Quanto ao fenômeno em si mesmo, não afirmamos nem a sua  possibilidade, nem a sua impossibilidade; mas no caso em que ele ocorresse, de não se lhe poder dar uma solução satisfatória, isso não infirmaria a coisa; é preciso não esquecer que estamos no início da ciência, e que ela está longe  de  haver  dito sua última palavra  sobre  esse ponto como sobre muitos outros. Aliás, as  partes excedentes poderiam  perfeitamente  ser  tornadas  invisíveis.