O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO VIII 598

esse senhor, quando voltou em pessoa, tinha uma tabaqueira em tudo semelhante. Onde, pois, o seu Espírito havia encontrado  aquela  que   ele  tinha  quando  estava ao pé do leito da doente? Poderíamos citar um grande número de casos, nos quais os Espíritos dos mortos, ou dos vivos, apareceram com diversos objetos, tais como bengala, armas, cachimbos, lanternas, livros, etc.

Veio-nos, então, um pensamento: de que os corpos inertes poderiam ter seus análogos etéreos no mundo invisível; que a matéria condensada que forma os objetos, poderia ter uma parte quintessenciada escapando aos nossos sentidos. Esta teoria não era desprovida de verossimilhança,  mas era   insuficiente  para explicar todos os fatos, sobretudo um, que parecia dever frustrar todas as interpretações. Até então não se tratava senão de imagens ou   aparências;  vimos  bem  que  o perispírito pode adquirir as propriedades da matéria e tornar-se tangível, mas esta tangibilidade não é senão momentânea, e o corpo sólido se desvanece igual a uma sombra. Já é um fenômeno muito extraordinário, mas o que o é também é ver-se produzir a matéria sólida persistente, como o provam numerosos fatos autênticos, e notadamente o da escrita direta, do qual falaremos com detalhes num capítulo especial. Todavia, como esse fenômeno se liga intimamente ao assunto que tratamos  neste  momento, e que é uma das suas aplicações mais  positivas, nos anteciparemos quanto à ordem na qual ele deve vir.

127. A escrita direta, ou pneumatografia, é aquela que se produz espontaneamente, sem o concurso, quer da mão do médium, quer do lápis. Basta pegar uma folha de papel branco, o que se pode fazer com todas as precauções necessárias para se assegurar de não ser vítima de alguma fraude, dobrá-la e depositá-la em alguma parte, numa gaveta ou simplesmente sobre um móvel e, se houver condições convenientes, ao cabo de um tempo mais ou menos longo, encontram-se sobre o papel caracteres traçados, sinais diversos, palavras, frases e mesmo discursos, o mais freqüentemente com uma substância acinzentada, análoga à aparência do chumbo, de outras vezes com lápis vermelho, tinta