O LIVRO DOS ESPÍRITOS - INTRODUÇÃO 60

uma coisa, será sempre senão uma prova, ao menos uma presunção em seu favor, uma vez que pode fixar a atenção de homens sérios que não têm nenhum interesse em propagar um erro,nem tempo a perder com futilidades.

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Entre as objeções, há as mais sutis, pelo menos na aparência, porque tiradas da observação e feitas por pessoas graves.

Uma das objeções é tirada da linguagem de certos Espíritos que não parece digna da elevação que se supõe aos seres sobrenaturais. Se se quer referir-se ao resumo da doutrina que apresentamos por cima, aí se verá que os próprios Espíritos nos ensinam que eles não são iguais, nem em conhecimentos, nem em qualidades morais, e que não se deve tomar ao pé da letra tudo o que eles dizem. Cabe às pessoas sensatas distinguir os bons dos maus Espíritos. Seguramente, aqueles que tiram desse fato a conseqüência de que nós não temos contato senão com seres malfazejos, cuja única ocupação é a de nos mistificarem, não têm conhecimentos das comunicações que ocorrem nas reuniões, onde não se manifestam senão Espíritos superiores; de outro modo não pensariam assim. É deplorável que o acaso os tenha servido tão mal, por não lhes mostrar senão o lado mau do mundo espírita, porque queremos supor que uma tendência simpática atrai para eles os maus Espíritos, antes que os bons, os Espíritos mentirosos ou aqueles cuja linguagem é revoltante de grosseria. Poder-se-ia, no máximo, disso concluir que a solidez dos seus princípios não é tão potente para afastar o mal, e que, encontrando um certo prazer em satisfazer a sua curiosidade a esse respeito, os maus Espíritos deles aproveitam para se introduzir entre eles,  enquanto  os  bons se afastam.

Julgar a questão dos Espíritos sobre esses fatos seria tão pouco lógico como julgar o caráter de um povo pelo que se diz, e se faz, numa assembléia de alguns estouvados ou de gente de má fama, à qual não freqüentam nem os sábios, nem as pessoas sensatas. Essas pessoas se encontram na situação de um estranho que, chegando a uma grande capital pelo mais feio subúrbio, julgasse todos os habitantes pelos costumes e pela linguagem desse bairro ínfimo. No mundo dos Espíritos há, também, uma boa sociedade e uma sociedade má; que essas pessoas estudem bem o que se passa entre os Espíritos de elite, e elas ficarão convencidas de que a cidade celeste encerra outra coisa além do refugo do povo. Mas, dizem, os Espíritos de  elite  vêm  entre nós? A isso respondemos: Não  ficai  no  subúrbio;  vede, observai  e  julga-