O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO VIII 600

não  estava   lá;  a que  o   Espírito  detinha  era   apenas  a representação: era, pois, uma aparência   comparada  ao  original,  embora  formada  de  um princípio material.

A experiência nos ensina que não é preciso sempre tomar ao pé da letra certas expressões empregadas pelos Espíritos; interpretando-as segundo nossas idéias, nos expomos a grandes equívocos; por isso, é necessário aprofundar o sentido de suas palavras, todas as vezes que apresentem a menor ambigüidade; é uma recomendação que nos fazem os próprios Espíritos. Sem a explicação que provocamos, a palavra aparência, constantemente repetida em casos análogos, podieria dar lugar a uma falsa interpretação.

4. É que a matéria inerte se desdobraria? Haveria no mundo invisível uma matéria essencial que revestiria a forma dos objetos que vemos? Em uma palavra, esses objetos teriam seu duplo etéreo no mundo invisível, como os homens aí são representados pelos Espíritos?

Não é assim que a coisa se passa; o Espírito tem, sobre   os  elementos  materiais,  disseminados   por toda parte no espaço, na vossa atmosfera, um poder que estais longe de supor. Pode, à sua vontade, concentrar esses elementos e dar-lhes a forma aparente própria para os seus projetos.

Nota. Esta pergunta, como se viu, era a tradução do nosso pensamento, quer dizer, da idéia que formávamos sobre a natureza desses objetos. Se as respostas fossem, como alguns o pretendem, o reflexo do pensamento, teríamos obtido a confirmação da nossa teoria, em lugar de uma teoria contrária.

5. Coloco de novo a questão de maneira categórica, a fim de evitar qualquer equívoco.

Os vestuários com os quais os Espíritos se cobrem são alguma coisa?

Parece-me que minha resposta precedente resolve a questão.    Não  sabeis que o próprio perispírito é alguma coisa?

6. Resulta dessa  explicação  que os Espíritos fazem a matéria  inerte sofrer  transformações  à   sua vontade,  e que, assim, por exemplo,  quanto  à  tabaqueira,  o  Espírito