O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO VIII 603

ção  por um  ato  instintivo  que  eles  mesmos  não compreendem, se  não  estão bem esclarecidos quanto a isso.

17. Se o Espírito pode tirar do elemento universal os materiais para fazer todas essas coisas, dar a elas uma realidade temporária com suas propriedades, pode muito bem tirar o que seja necessário para escrever, e, por conseqüência, isto nos parece dar a chave do fenômeno da escrita direta?

Enfim, chegastes onde queríeis!

Nota. Era aí, com efeito, onde queríamos chegar por todas as nossas perguntas preliminares; a resposta prova que o Espírito havia lido nosso pensamento.

18. Se a matéria, da qual o Espírito se serve, não é persistente, como ocorre que os traços da escrita direta não desaparecem?

Não critiqueis sobre palavras; primeiro eu não disse: jamais;   era  questão de  um  objeto volumoso; aqui, são sinais traçados, cuja conservação é útil, e se conservam. Quis dizer que os objetos assim compostos pelo Espírito não poderiam tornar-se objetos de uso, porque não há, na realidade, agregação de matéria como nos vossos corpos sólidos.

129. A  teoria  acima  pode ser assim resumida: o Espírito age sobre a matéria; tira da matéria cósmica universal os elementos necessários para formar, à sua vontade, objetos tendo  a  aparência  de  diversos  corpos  que existem na Terra. Pode também operar sobre a matéria elementar, por sua vontade, uma transformação íntima que lhe  dá  propriedades   determinadas. Esta faculdade é inerente à natureza do Espírito que, freqüentemente, a exerce como um ato instintivo quando isso é necessário, e sem disso tomar conhecimento. Os objetos formados pelo Espírito têm uma existência  temporária, subordinada  à  sua  vontade  ou à necessidade; pode fazê-los e desfazê-los à sua vontade. Esses objetos podem, em certos casos, ter aos olhos das pessoas vivas todas as aparências da realidade, quer dizer, tornarem-se momentaneamente visíveis e  mesmo tangíveis. Há