O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO VIII 604

formação, mas não criação, uma vez que o Espírito não pode tirar nada do nada.

130. A existência de uma matéria elementar única é quase que geralmente admitida hoje pela ciência, e confirmada, como se viu, pelos Espíritos. Esta matéria dá nascimento  a  todos  os  corpos  da natureza; pelas transformações que ela sofre, produz também as diversas propriedades desses mesmos corpos; é assim que uma substância salutar pode se tornar venenosa por uma simples modificação;  a  química  disso  nos  oferece numerosos exemplos. Todo  mundo sabe  que  duas  substâncias  inocentes combinadas em certas proporções podem produzir uma outra que seja deletéria. Uma parte de oxigênio e duas de hidrogênio, todas as duas inofensivas, formam a água; ajuntai um átomo de oxigênio e tendes um líquido corrosivo. Sem mudar as proporções, freqüentemente, basta uma simples mudança no modo de agregação molecular para mudar as propriedades; é assim que um corpo opaco pode se  tornar transparente, e vice-versa. Uma vez que o Espírito,  por sua   vontade, tem uma ação tão poderosa sobre a matéria elementar, concebe-se que ele possa, não somente formar substâncias, mas também desnaturar-lhes as   propriedades, com a vontade aqui fazendo  o  efeito de um reativo.

131. Esta teoria nos dá a solução de um fato bem conhecido em magnetismo, mas até o momento inexplicado, que é o da mudança das propriedades da água pela vontade. O Espírito atuante é o do magnetizador, o mais comumente assistido por um Espírito estranho; ele opera uma transmutação com a ajuda do fluido magnético que, como se disse, é a substância que mais se aproxima da matéria cósmica, ou elemento universal. Se pode operar uma modificação  nas   propriedades  da  água, pode igualmente produzir  um  fenômeno análogo sobre os fluidos do organismo, e  daí o efeito curativo da ação magnética convenientemente  dirigida.

Sabe-se o papel capital que exerce a vontade em todos os fenômenos do magnetismo; mas como explicar a ação  material  de um agente tão  sutil? A vontade não é um