O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XIV 636

pírita, em nos esclarecendo sobre a verdadeira causa de todos esses fenômenos, lhes dá o golpe de misericórdia. Longe, pois, de fazer nascer esse pensamento, deve-se, e é um dever de moralidade e de humanidade, combatê-lo se existe.

O que é preciso fazer quando uma faculdade semelhante se desenvolve espontaneamente num indivíduo, é deixar o fenômeno seguir seu curso natural: a Natureza é mais prudente do que os homens; a Providência, aliás, tem seus objetivos, e o menor pode ser instrumento dos maiores desígnios. Mas, é preciso nisso convir, esses fenômenos, algumas vezes, adquirem proporções fatigantes e importunas para todo mundo 1; eis, em todos os casos, o que é preciso fazer. No capítulo V, das Manifestações físicas espontâneas, já demos alguns conselhos a esse respeito, dizendo que é preciso procurar se pôr em contato com os Espíritos, para saber deles o que querem. O meio seguinte está também fundado na observação.

Os Seres invisíveis que revelam sua presença por efeitos sensíveis são, em geral, Espíritos de uma ordem inferior, e podem ser dominados pelo ascendente moral; e é este ascendente que é preciso procurar adquirir.

Para se obter este ascendente, é preciso fazer o sujeito passar do estado de médium natural para o de médium


1. Um dos fatos mais extraordinários dessa natureza, pela variedade e estranheza dos fenômenos, é, sem contradita, aquele que teve lugar, em 1852, no Palatinado (Baviera renana), em Begzabern, perto de Wissembourg. É tanto mais notável porque reúne, mais ou menos, no mesmo indivíduo, todos os gêneros de manifestações espontâneas: barulho de sacudir a casa, queda de móveis, objetos lançados ao longe por uma mão invisível, visões e aparições, sonambulismo, êxtase, catalepsia, atração elétrica, gritos e sons aéreos, instrumentos tocando sem contato, comunicações inteligentes, etc. e, o que não é de importância medíocre, a constatação desses fatos durante quase dois anos, por inumeráveis testemunhas oculares, dignas de fé pelo seu saber e posição social. A narração autêntica foi publicada, nessa época, em vários jornais alemães, e notadamente em uma brochura hoje esgotada e muito rara. Encontrar-se-á a tradução completa dessa brochura na Revista Espírita de 1858, com os comentários e explicações necessários. De nosso conhecimento, é a única publicação francesa que foi feita. Além do interesse impressionante que despertam esses fenômenos, são eminentemente instrutivos do ponto de vista do estudo prático do Espiritismo.