O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XIV 639

conversação com os Espíritos. Quando têm o hábito de se comunicarem com certos Espíritos, os reconhecem imediatamente pelo caráter da voz. Quando não se está por si mesmo dotado desta faculdade, pode-se igualmente se comunicar com um Espírito, por intermédio de um médium audiente que ocupe a função de intérprete.

Esta  faculdade é muito agradável quando o médium não  ouve senão  os  bons  Espíritos,  ou  somente aqueles que  chama;  mas não ocorre o mesmo quando um mau Espírito  se  obstina  junto   dele e o faz ouvir, a cada minuto, as  coisas  mais  desagradáveis   e, algumas vezes, as mais inconvenientes.  Será   preciso,  pois,  deles se desembaraçar  pelos  meios  que  indicaremos  no  capítulo  da  Obsessão.

4. Médiuns falantes

166. Os  médiuns  audientes,  que  apenas transmitem o   que  ouvem,   não   são,   propriamente falando, médiuns falantes; estes últimos, com muita freqüência, não ouvem nada;   neles  o  Espírito atua sobre os órgãos da palavra, como   atua  sobre   a mão dos médiuns escreventes. O Espírito,  querendo  se  comunicar,  serve-se do órgão no qual  encontra  mais   flexibilidade no médium; de um empresta  a  mão,   de outro a palavra,  de  um terceiro o ouvido. O médium falante se exprime geralmente sem ter a consciência do que diz, e, freqüentemente, diz coisas completamente fora de suas idéias habituais, de seus conhecimentos  e  mesmo do alcance da sua  inteligência. Embora  esteja  perfeitamente desperto e num estado normal, raramente  conserva  a lembrança do que disse; em suma, a palavra é nele um instrumento do qual se serve o Espírito, e com a qual uma pessoa estranha pode entrar em comunicação,  como pode   fazê-lo  por intermédio do médium audiente.

A passividade de um médium falante não é sempre bastante completa; há os que têm a intuição do que dizem no próprio momento em que pronunciam as palavras. Voltaremos sobre esta variedade, quando tratarmos dos médiuns intuitivos.