O LIVRO DOS ESPÍRITOS - INTRODUÇÃO 64

tituí-lo e porque nos é preciso um nome para fixar as idéias. Mas que importa, em definitivo, que um Espírito seja realmente, ou não, o de Fénelon? Do momento em que ele não diz senão coisas boas e que fala como o teria dito o próprio Fénelon, é um bom Espírito; o nome sob o qual se faz conhecer é indiferente e, freqüentemente, não é senão um meio de fixar nossas idéias. Não seria o mesmo nas evocações íntimas ; mas aí, como o dissemos, a identidade pode ser estabelecida por provas de alguma forma patentes.

De resto, é certo que a substituição dos Espíritos pode dar lugar a uma multidão de enganos, e que isso pode  resultar em erros e, freqüentemente, em mistificações; é essa uma dificuldade do Espiritismo prático; mas não dissemos jamais que esta Ciência era uma coisa fácil nem que se podia aprendê-la brincando, não mais que nenhuma outra ciência. Não será demasiado repetir: ela exige um estudo assíduo e, freqüentemente, longo demais; não podendo provocar os fatos, é preciso esperar que eles se apresentem e, no geral, eles são conduzidos por circunstâncias das quais nem ao menos se sonha. Para o observador atento e paciente, os fatos se produzem em quantidade, porque ele descobre milhares de nuanças características que são, para ele, rasgos de luz. Assim o é nas ciências vulgares; enquanto que o homem superficial não vê numa flor senão uma forma elegante, o sábio nela descobre tesouros pelo pensamento.

XIII

As observações acima nos levam a dizer algumas palavras de uma outra dificuldade: a da divergência que existe na linguagem dos Espíritos.

Os Espíritos sendo muito diferentes, uns dos outros, sob o ponto de vista dos conhecimentos e da moralidade, é evidente que a mesma questão pode ser resolvida num sentido oposto, segundo a posição que eles ocupam, absolutamente como se ela fosse colocada, entre os homens, alternativamente a um sábio, a um ignorante ou a um mau gracejador. O ponto essencial, já o dissemos, é saber a quem é dirigida.

Mas, acrescenta-se, como ocorre que os Espíritos, reconhecidos por seres superiores, não estejam sempre de acordo? Diremos, primeiro, que independentemente da causa que assinalamos, há outras que podem exercer uma certa influência sobre a natureza das respostas, abstração feita da qualidade dos Espíritos.

Este é um ponto capital, cujo estudo dará a explicação; por isso, dizemos que esses estudos requerem uma atenção firme, uma