O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XIV 642

se derramar sobre os atores; nesse momento, houve entre eles uma recrudescência visível de energia.

170. Eis um outro fato que prova a influência que os Espíritos exercem sobre os homens com o seu desconhecimento. Estávamos, como naquela noite, em uma representação teatral com um outro médium vidente. Tendo iniciado uma conversação com um Espírito espectador, este nos disse: Vede aquelas duas senhoras sozinhas naquele camarote de primeira; pois bem! desejo muito fazê-las deixar a sala.  Dito isto, viu-se que se colocava no camarote em questão e falar  com as duas senhoras; de repente, estas, que estavam muito atentas ao espetáculo, se olham, parecem se consultar, depois se vão e não reaparecem mais. O Espírito nos fez então um gesto cômico para mostrar que havia tido palavra; mas não o revemos mais para lhe pedir mais amplas explicações. Assim é que pudemos muitas vezes ser testemunhas do papel que desempenham os Espíritos  entre os vivos; observamo-los em diversos lugares de reunião, nos bailes, concertos, sermões, funerais, bodas,  etc.  e  por  toda  parte os encontramos atiçando as más paixões, soprando a discórdia, excitando as rixas e regozijando-se com suas proezas; outros, ao contrário, combatiam essa influência perniciosa, mas não eram senão raramente escutados.

171. A faculdade de ver os Espíritos, sem dúvida, pode se desenvolver, mas é uma daquelas que convém esperar seu desenvolvimento natural, sem provocá-lo, se não se quer se expor a ser joguete da própria imaginação. Quando o germe de uma faculdade existe, ela se manifesta por si mesma; em princípio, é preciso se contentar com as que Deus nos concedeu, sem procurar o impossível: porque, então, querendo muito ter, arrisca-se a perder o que já se tem.

Quando dissemos que os fatos de aparições espontâneas são freqüentes (nº 107), não quisemos dizer que sejam muito comuns; quanto aos médiuns videntes propriamente ditos, são ainda mais raros e há muito para se desconfiar daqueles que pretendem desfrutar dessa faculdade; é  prudente  não  lhes dar fé senão sobre provas positivas. Não falamos mesmo  daqueles que se dão à  ridícula ilu-