O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XIV 643

são dos Espíritos glóbulos, que descrevemos no nº 108, mas dos  que  pretendem   ver os Espíritos de um modo racional. Certas  pessoas  podem,  sem  dúvida,  se enganar de boa  fé,  mas outras podem também simular essa faculdade por  amor  próprio  ou  por interesse. Nesse caso é preciso particularmente considerar o caráter, a moralidade e a sinceridade  habitual;   mas   é sobretudo nas circunstâncias dos detalhes   que se pode encontrar o mais certo controle, porque há os que não podem deixar dúvidas como, por exemplo, o retrato de um Espírito que o médium não conheceu   jamais  quando  vivo.  O  fato seguinte é dessa categoria.

Uma senhora viúva, cujo marido se comunicava  freqüentemente com ela, se encontrou um dia com um médium vidente que não a conhecia, nem à sua família; o médium lhe disse: – Vejo um Espírito perto de vós. – Ah! disse a senhora, é sem dúvida meu marido que não me deixa quase nunca – Não, respondeu o médium, é uma mulher de certa idade; ela está penteada de uma maneira singular; tem um bandô branco sobre a fronte.

Com essa particularidade e outros detalhes descritos, a senhora reconheceu sua avó, sem qualquer engano, e na qual não pensava absolutamente nesse momento. Se o médium tivesse querido simular a faculdade, lhe seria fácil seguir o pensamento da senhora, enquanto que, no lugar do marido com quem estava preocupada, viu uma senhora com uma particularidade de penteado da qual nada lhe podia dar idéia. Este fato prova uma outra coisa, de que a visão, no médium, não era o reflexo de nenhum pensamento estranho. (Ver nº 102.)

6. Médiuns sonâmbulos

172. O  sonambulismo  pode ser considerado como uma variedade da faculdade medianímica, ou melhor dizendo, são duas ordens de fenômenos que, com muita freqüência, se encontram reunidas. O sonâmbulo atua sob a influência de seu próprio Espírito; é sua alma que, nos momentos  de  emancipação,  vê, ouve e percebe fora dos limites  dos  sentidos; o que ele exprime, haure em si mesmo;