O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XV 650

temunham um sentimento afetuoso. A mesma coisa ocorre quando o lápis está colocado na mão; freqüentemente, ele é lançado ao longe com força, ou a mão, igual à cesta, se agita convulsivamente e bate na mesa com cólera, mesmo quando o médium está na maior calma e se espanta de não ser senhor de si. Digamos, de passagem, que esses efeitos denotam  sempre a   presença de Espíritos imperfeitos; os Espíritos realmente superiores são constantemente calmos, dignos e benevolentes; se não são escutados convenientemente,   retiram-se  e  outros tomam o seu lugar. O Espírito pode, pois, exprimir diretamente seu pensamento, seja pelo movimento de um objeto do qual a mão do médium é apenas um ponto de apoio, seja por sua ação sobre a mão do médium.

Quando o Espírito atua sobre a mão, dá a esta um impulso completamente independente da vontade. Ela funciona sem interrupção, e malgrado o médium, enquanto o Espírito   tem alguma coisa a dizer, e se detém quando termina.

O que caracteriza o fenômeno, nesta circunstância, é que o médium não tem a menor consciência do que escreve; a inconsciência absoluta, neste caso, constitui o que se chamam os médiuns passivos ou mecânicos. Esta faculdade é preciosa pelo fato de não poder deixar nenhuma dúvida sobre  a   independência  do  pensamento   daquele que escreve.

MÉDIUNS INTUITIVOS

180. A transmissão do pensamento ocorre também por intermédio do Espírito do médium, ou melhor, de sua alma, uma vez que designamos sob esse nome o Espírito encarnado. O Espírito estranho, neste caso, não atua sobre a   mão   para fazê-la escrever; não a toma, não a guia; ele age   sobre  a  alma,  com a qual se identifica. A alma, sob esse impulso,  dirige  a mão e a mão dirige o lápis. Anotemos aqui uma coisa importante de se saber; é que o Espírito estranho  não se substitui à alma, porque não poderia deslocá-la: domina-a sem que saiba, e lhe imprime sua  vontade.