O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XV 651

Nesta circunstância, o papel da alma não é absolutamente passivo, pois é ela que recebe o pensamento do Espírito e que o transmite. Nesta situação, o médium tem a consciência daquilo que escreve, embora não seja seu próprio pensamento; é o que se chama médium intuitivo.

Se assim é, dir-se-á, nada prova que seja de preferência o Espírito estranho que escreve ao invés do Espírito   do  médium.  A distinção, com efeito, algumas vezes, é bastante difícil de se fazer, mas pode ocorrer que isso pouco   importe.  Todavia,  pode-se reconhecer o pensamento sugerido  no  fato  de  que não foi jamais preconcebido; ele nasce à medida que se escreve e, freqüentemente, é contrário à idéia prévia que se tinha formado; pode mesmo estar fora  dos  conhecimentos e das capacidades do médium.

O papel de um médium mecânico é o de uma máquina; o médium intuitivo atua como o faria um intérprete. Este, com efeito, para transmitir o pensamento, deve compreendê-lo, dele apropriar-se, de alguma sorte, para traduzi-lo fielmente e, portanto, esse pensamento não é o seu: não faz mais que atravessar seu cérebro. Tal é exatamente o papel do médium intuitivo.

MÉDIUNS SEMI-MECÂNICOS

181. No médium puramente mecânico, o movimento da mão é independente da vontade; no médium intuitivo, o movimento é voluntário e facultativo. O médium semi-mecânico participa dos dois gêneros; sente uma impulsão dada à   sua  mão,  malgrado   seu, mas, ao mesmo tempo, tem a consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam. No primeiro, o pensamento segue o ato de escrever; no segundo, o precede; no terceiro, o acompanha. Estes últimos médiuns são os mais numerosos.

MÉDIUNS INSPIRADOS

182. Toda    pessoa   que recebe, seja no estado normal, seja no estado de êxtase, pelo pensamento, comuni-