O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XV 652

cações estranhas às suas idéias preconcebidas, pode ser incluído   na  categoria  dos médiuns inspirados; como se vê, é   uma variedade de  mediunidade  intuitiva,  com a diferença   de  que  a intervenção de uma potência oculta é ainda bem menos sensível, porque, nos inspirados, é ainda mais difícil   distinguir o  pensamento próprio  do   que é sugerido. O  que caracteriza este último, sobretudo, é a espontaneidade. A inspiração nos vem dos Espíritos que nos influenciam   no bem ou no mal, porém ela é antes daqueles que nos  querem bem,  e  dos  quais, freqüentemente, por erro,  não seguimos   os conselhos; se aplica a todas as circunstâncias  da vida, nas resoluções que devemos tomar; sob este aspecto, pode-se dizer que todo mundo é médium, porque não há pessoa que não tenha seus Espíritos protetores e familiares, que fazem todos os esforços para sugerirem, aos seus protegidos, pensamentos salutares. Se se   está bem compenetrado desta verdade, mais freqüentemente se  recorreria  à inspiração do seu anjo de guarda, nos  momentos em que não se sabe o que dizer ou o que fazer.  Que se o invoque, pois, com fervor e confiança, em caso de necessidade e, com muita freqüência, ficar-se-á espantado com as idéias que surgirão como por encantamento, seja que se tenha um partido a tomar, seja que se tenha  alguma  coisa  a   compor.  Se nenhuma idéia vier, é que é  preciso  esperar.  A   prova  de que a idéia que sobrevém é uma idéia estranha, é que se ela estivesse na mente,  dela se seria sempre senhor, e não haveria razão para   que não se manifestasse à   vontade.   Aquele   que não  é cego, quando quer ver, não tem senão que abrir os olhos para ver; igualmente, aquele que tem idéias, as tem sempre à sua disposição; se não lhe vêm à sua vontade, é porque está obrigado a hauri-las alhures, que não no seu interior.

Pode-se, ainda, incluir nesta categoria, as pessoas que, sem  estarem dotadas de uma inteligência excepcional, e sem saírem do estado normal, têm relâmpagos de uma lucidez intelectual que lhes dá, momentaneamente, uma facilidade de concepção e elocução, fora do costume, e, em certos casos, o pressentimento das coisas futuras. Nesses momentos, que se chamam, justamente, de inspiração, as