O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XV 653

idéias se derramam, se seguem, se encadeiam, por assim dizer, por elas mesmas e por um impulso involuntário e quase febril; parece-nos que uma inteligência superior vem nos ajudar, e que o nosso espírito se desembaraça de um fardo.

183. Os homens de gênio em todos os gêneros, artistas, sábios, literatos, são, sem dúvida, Espíritos avançados, capazes por si mesmos de compreender e de conceber grandes coisas; ora, é precisamente porque são julgados capazes, que os Espíritos, que querem o cumprimento de certos trabalhos, lhes sugerem as idéias necessárias, e é assim que, o mais freqüentemente, são médiuns sem o saberem. Têm, no entanto, uma vaga intuição de uma assistência estranha, porque quem apela à inspiração, não faz outra coisa senão uma evocação; se não esperasse ser ouvido, por que exclamaria, tão freqüentemente: Meu bom gênio, vem em minha ajuda!

As respostas seguintes confirmam esta assertiva.

– Qual é a causa primeira da inspiração?

O Espírito que se comunica pelo pensamento.

– A inspiração não tem por objeto senão a revelação das grandes coisas?

Não; freqüentemente, ela tem relação com as mais comuns circunstâncias da vida. Por exemplo, tu queres ir a alguma   parte;  uma voz secreta te diz para não fazê-lo, porque há perigo para ti; ou te diz para fazeres uma coisa na qual não pensavas: é a inspiração. Há bem poucas pessoas que não tenham estado mais ou menos inspiradas em certos momentos.

– Um autor, um pintor, um músico, por exemplo, nos momentos   de   inspiração,  poderiam ser considerados médiuns?

Sim, porque nesses momentos sua alma está mais livre, e como   desembaraçada   da matéria; recobra uma parte das suas faculdades de Espírito e recebe mais facilmente as comunicações dos outros Espíritos que a inspiram.