O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XVI 657

estudar a natureza do médium, como se estuda a natureza do    Espírito, porque  são  os  dois   elementos essenciais para se obter um resultado satisfatório. Há um terceiro elemento que desempenha um papel igualmente importante, e   que  é a intenção, o pensamento íntimo, o sentimento mais ou menos louvável daquele que interroga; e isso se concebe. Para que uma comunicação seja boa, é necessário que emane de um Espírito bom; para que esse Espírito bom POSSA transmiti-la, lhe é necessário um bom instrumento; para que QUEIRA transmiti-la, é preciso que o objetivo lhe convenha.

O Espírito, que lê o pensamento, julga se a questão que se lhe propõe merece uma resposta séria, se a pessoa que lha endereça é digna de recebê-la; caso contrário, não perde tempo em semear bons grãos sobre as pedras, e é então que os Espíritos levianos e zombeteiros se dão inteira liberdade, porque, pouco inquietando-se com a verdade, não a encaram de perto, e são geralmente pouquíssimo escrupulosos sobre o fim e sobre os meios.

Resumimos, aqui, os principais gêneros de mediunidade, a fim de apresentar-lhes, de alguma sorte, o quadro sinótico, compreendendo os que já descrevemos nos capítulos precedentes, indicando os números onde a questão se acha com mais detalhes.

Agrupamos as diferentes variedades de médiuns pela analogia de causas e de efeitos, sem que esta classificação nada tenha de absoluto. Alguns se encontram freqüentemente; outros, ao contrário, são raros e mesmo excepcionais, o que temos o cuidado de mencionar. Estas últimas indicações foram todas fornecidas pelos Espíritos que, de resto, revisaram esse quadro com um cuidado todo particular e o completaram com numerosas observações e novas categorias, de tal sorte que, por assim dizer, é inteiramente obra sua. Indicamos com aspas suas observações textuais, quando acreditamos conveniente ressaltá-las. São, na maioria, de Erasto e de Sócrates.

187. Podem-se dividir os médiuns em duas grandes categorias: