O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XVI 672

"Este quadro é de grande importância, não somente para   os   médiuns   sinceros   que procurarão de boa-fé, lendo-o, de se preservar dos escolhos aos quais estão expostos, mas  também  para todos aqueles que se servem de   médiuns, porque lhes dará a medida do que podem racionalmente  deles esperar. Deveria estar constantemente sob os  olhos  de qualquer  que  se  ocupe  de  manifestações, e   igualmente da  escala espírita de que é complemento;  esses   dois quadros resumem todos os princípios da  Doutrina,   e contribuirão, mais do que pensais, para conduzir  o Espiritismo   ao  verdadeiro caminho." (SÓCRATES.)

198. Todas essas variedades de médiuns apresentam graus infinitos em sua intensidade; há várias que, propriamente falando, não são senão matizes, mas não deixam de ser o fato de aptidões especiais. Concebe-se que deve ser bastante raro que a faculdade de um médium seja rigorosamente circunscrita a um só gênero; o mesmo médium pode, sem dúvida, ter várias aptidões, mas há sempre uma que domina e é a que deve se interessar em cultivar, se for útil. É um erro grave o de querer insistir no desenvolvimento de uma faculdade que não se possui; é preciso cultivar todas das quais se reconhece o germe em si; mas perseguir as outras, primeiro é perder tempo e, em segundo lugar, talvez perder, enfraquecer por certo, aquelas de que se está dotado.

"Quando o princípio, o germe de uma faculdade existe, ela se manifesta sempre por sinais inequívocos. Restringindo-se em sua especialidade, o médium pode distinguir-se e obter grandes e belas coisas; ocupando-se de tudo, não obterá nada de bem. Anotai, de passagem, que o desejo de estender indefinidamente o círculo de suas faculdades, é uma pretensão orgulhosa que os Espíritos jamais deixam impune; os bons abandonam sempre o presunçoso, que se torna, assim, o joguete de Espíritos enganadores. Infelizmente, não é raro verem-se médiuns que não se contentam com os dons que receberam, e aspiram, por amor-próprio ou ambição, a possuir faculdades excepcionais, próprias para fazê-los notados; esta pretensão lhes tira a qualidade mais preciosa: a de médiuns seguros." (SÓCRATES.)