O LIVRO DOS ESPÍRITOS - INTRODUÇÃO 68

petáculo que lhe dão as comunicações com os Espíritos, a sorte daqueles que abreviam voluntariamente os seus dias, e esse quadro é o bastante para o fazer refletir; também o número daqueles que se detiveram sobre essa inclinação funesta, é considerável. É este um dos resultados do Espiritismo. Que os incrédulos se riam dele quanto o quiserem; eu lhes desejo as consolações que ele proporciona a todos aqueles que se dão ao trabalho de sondar-lhe as misteriosas profundezas.

Ao número das causas de loucura é preciso acrescentar ainda o medo, e o medo do diabo desarranjou mais de um cérebro. Sabe-se o número de vítimas que se fez amedrontando imaginações fracas com esse quadro que se esforça por tornar mais pavoroso com hediondos detalhes? O diabo, diz-se, não amedronta senão a crianças; é um freio para torná-las ajuizadas; sim, como o bicho-papão e o lobisomem, e, quando não têm mais medo deles, estão pior que antes; e por esse belo resultado não se conta o número das epilepsias causadas pelo abalo de um cérebro delicado. A religião seria bem fraca se, na falta do medo, sua força pudesse ser comprometida. Felizmente, não é assim. Há outros meios de ação sobre as almas. O Espiritismo, para isso, lhe fornece os mais eficazes e os mais sérios, se ela sabe usá-los com proveito: ele mostra a realidade das coisas e, com isso, neutraliza os efeitos funestos de um medo exagerado.

XVI

Resta-nos examinar duas objeções, as únicas que merecem verdadeiramente esse nome, porque estão baseadas sobre teorias racionais. Uma e outra admitem a realidade de todos os fenômenos, materiais e morais, mas excluem a intervenção dos Espíritos.

Segundo a primeira dessas teorias, todas as manifestações atribuídas aos Espíritos não seriam outra coisa que efeitos magnéticos. Os médiuns estariam num estado que se poderia chamar de sonambulismo desperto, fenômeno do qual toda pessoa que estudou o magnetismo pôde ser testemunha. Nesse estado, as faculdades intelectuais adquirem um desenvolvimento anormal: o círculo das percepções intuitivas se estende fora dos limites da nossa concepção normal. Desde então, o médium tiraria de si mesmo, e pelo fato da sua lucidez, tudo o que ele diz e todas as noções que transmite, mesmo sobre as coisas que lhe são as mais estranhas em seu estado habitual.

Não seremos nós que contestaremos a força do sonambulismo, do qual vimos os prodígios e estudamos todas as fases durante mais de trinta e cinco anos; concordamos que, com efeito,