O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XVII 684

duvidar da   sua   faculdade; não sabe se aquilo vem dele ou de  um   Espírito estranho. Não tem nada com que se inquietar e deve continuar mesmo assim; que observe com atenção, e reconhecerá   facilmente,   naquilo   que escreve, uma   porção   de coisas que não estavam no seu pensamento, e mesmo que  lhe  são contrárias; prova evidente que não vêm dele. Que  continue, pois, e a dúvida se dissipará com a experiência.

215. Se não é dado ao médium ser exclusivamente mecânico,  todas as tentativas para obter esse resultado serão  infrutíferas,   e   estaria  errado em se crer deserdado por  isso;  se  não está dotado senão da mediunidade intuitiva, é preciso que com ela se contente, e não deixará de propiciar-lhe  grandes  serviços, se sabe aproveitá-la, e se não a repele.

Se  depois  de tentativas  inúteis,  continuadas   durante   algum  tempo,  nenhum   indício de movimento involuntário  se   produz,   ou  se esses   movimentos são    muito  fracos   para  dar  resultados, não se deve hesitar em escrever o primeiro   pensamento   que lhe é sugerido, sem se inquietar se vem dele  ou   de outra fonte estranha: a experiência lhe   ensinará  a fazer essa distinção. Ocorre, a miúdo, aliás, que  o  movimento   mecânico  se   desenvolve   ulteriormente.

Dissemos, mais acima, que há casos nos quais é indiferente saber  se o pensamento vem do médium ou de um Espírito estranho; é sobretudo quando um médium, puramente   intuitivo  ou inspirado, faz um trabalho de imaginação  por  si   mesmo;  pouco   importa   que ele se atribua um pensamento que lhe foi sugerido; se lhe vêm boas idéias, que agradeça ao seu bom gênio, e lhe serão sugeridas outras. Tal é a inspiração dos poetas, dos filósofos e dos sábios.

216. Suponhamos agora a faculdade medianímica completamente desenvolvida; que o médium escreve com facilidade; que seja, em uma palavra, o que se chama um médium feito, seria um grande erro, de sua parte, crer-se dispensado de qualquer outra instrução; não venceu senão