O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XIX 697

lo que se manifesta e que diz, portanto, algumas vezes, coisas muito boas.

6. O   Espírito  que  se   comunica  por um médium transmite  diretamente seu pensamento, ou esse pensamento tem por intermediário o Espírito encarnado no médium?

É o Espírito do médium que o interpreta, porque está ligado ao   corpo  que serve para falar, e é preciso um laço entre vós e os Espíritos estranhos que se comunicam, como é necessário um fio elétrico para transmitir uma notícia ao longe, e no fim do fio uma pessoa inteligente a recebe e a transmite.

7. O Espírito encarnado no médium exerce uma influência sobre as comunicações que deve transmitir e que provêm de Espíritos estranhos?

Sim, porque se não lhe é simpático, pode alterar suas respostas, e as assimilar às suas próprias idéias e às suas tendências, mas não influencia os Espíritos, eles mesmos: não é senão um mau intérprete.

8. É esta a causa da preferência dos Espíritos por certos médiuns?

Não há outra; procuram o intérprete que melhor simpatize com eles, e que exprime, o mais exatamente, o seu pensamento. Se não há simpatia entre eles, o Espírito do médium é um antagonista que faz uma certa resistência, e se torna um intérprete de má vontade e, freqüentemente, infiel. Ocorre o mesmo entre vós quando o conselho de um sábio é transmitido pela voz de um estouvado ou de um homem de má fé.

9. Concebe-se que isso possa ser assim com os médiuns intuitivos, mas não com os que são mecânicos.

Não tendes vós bem consciência do papel que desempenha o médium; há aí uma lei que não haveis ainda compreendido. Lembrai-vos de que, para operar o movimento  de  um   corpo   inerte,  o   Espírito tem necessidade de uma porção de fluido animalizado que tira do médium para animar  momentaneamente  a  mesa,  a  fim de que esta obe-