O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XIX 699

que se o Espírito tivesse transmitido a inteligência ao papelão, ao mesmo tempo que a vida, o papelão escreveria tudo sozinho, sem o concurso do médium; seria singular que o homem   inteligente se   tornasse máquina, e   que um objeto inerte se tornasse inteligente.   É um dos numerosos sistemas nascidos de uma idéia preconcebida, e que tombam, como tantos outros, diante da experiência e da observação.

13. Um fenômeno bem conhecido poderia abonar a opinião de que há, nos corpos inertes animados, mais do que a vida, mas também a inteligência, como é o das mesas, cestas, etc., que exprimem por seus movimentos a cólera ou a afeição?

Quando um homem agita um bastão com cólera, não é o bastão que está colérico, nem mesmo a mão que segura o   bastão,  mas sim o pensamento que dirige a mão; as mesas e as cestas não são mais inteligentes do que o bastão; não têm nenhum sentimento inteligente, mas obedecem a uma inteligência; em uma palavra, não é o Espírito que se transforma em cesta, nem mesmo que nela elege domicílio.

14. Se não é racional atribuir inteligência a esses objetos, pode-se considerá-los como uma variedade de médiuns em os   designando  sob  o nome de médiuns inertes?

É uma questão de palavras que pouco nos importa, contanto que vos entendais. Sois livres para chamarem o homem uma marionete.

15. Os Espíritos não têm senão a linguagem do pensamento; não têm a linguagem articulada; por isso, não há para eles senão uma só língua; assim sendo, um Espírito poderia se exprimir por via mediúnica em uma língua que jamais falou quando vivia; e, nesse caso, onde toma as palavras das quais se serve?

Vós mesmos vindes de responder à vossa pergunta, dizendo que os Espíritos têm uma única língua que é a do pensamento; essa língua é compreendida por todos, tanto pelos homens quanto pelos Espíritos. O Espírito errante, em se dirigindo ao Espírito encarnado do médium, não lhe