O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XIX 700

fala nem francês, nem inglês, mas a língua universal que é a do pensamento; para traduzir as suas idéias, em uma linguagem articulada, transmissível, toma suas palavras no vocabulário do médium.

16. Se assim é, o Espírito não deveria poder se exprimir senão na língua do médium, ao passo que pode ser visto escrever em línguas desconhecidas deste último; não há aí uma contradição?

Anotai primeiro  que todos os médiuns não são igualmente próprios para esse gênero do exercício e, em seguida, que os Espíritos a isso não se prestam senão acidentalmente, quando julgam que possa ser útil; mas, para as comunicações usuais, e de uma certa extensão, preferem  se  servir de  uma língua familiar ao médium, porque ela lhe apresenta menos dificuldades materiais a vencer.

17. A aptidão de certos médiuns para escreverem em uma língua que lhes é estranha, não resultaria de que essa língua lhe fora familiar em uma outra existência, e que dela conservou a intuição?

Isto pode certamente ocorrer, mas não é uma regra; o Espírito pode, com alguns esforços, superar, momentaneamente, a resistência material que encontra; é o que ocorre quando o médium escreve, em sua própria língua, palavras que não conhecia.

18. Uma pessoa que não soubesse escrever, poderia escrever como médium?

Sim; mas se concebe que há aí ainda uma grande dificuldade   mecânica   a  vencer,   a    mão  não tendo o hábito do movimento necessário para formar as letras. Ocorre o  mesmo com os médiuns desenhistas que não sabem desenhar.

19. Um médium muito pouco inteligente, poderia transmitir comunicações de uma ordem elevada?

Sim, pela  mesma razão que um médium pode escrever em uma língua que não conhece. A mediunidade propriamente  dita  é independente  da   inteligência,  assim  como das  qualidades  morais,  e,  na  falta  de um melhor instrumen-