O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XIX 703

às línguas estrangeiras. As tentativas desse gênero são sempre  feitas com um objetivo de curiosidade e de experimentação;   ora,  nada   é   mais  antipático aos Espíritos do que   as  provas às quais se tenta submetê-los. Os Espíritos superiores   jamais  se   prestam  para isso e se afastam desde que se vê entrar nesse caminho. Tanto como se comprazem  com   as   coisas úteis e sérias, tanto repugnam se   ocupar  com   coisas   fúteis  e   sem objetivo. É, dirão os incrédulos,  para nos convencer,  e   esse   objetivo   é útil, uma vez que pode ganhar adeptos para a causa dos Espíritos.   A   isso os Espíritos respondem: "Nossa causa não   necessita   daqueles   que   têm   bastante orgulho para se crerem indispensáveis; chamamos a nós aqueles que queremos e, freqüentemente, esses são os menores e os mais humildes. Jesus fez os milagres que lhe pediram os escribas?   E  de   quais  homens se serviu para revolucionar o   mundo?  Se   quereis   vos   convencer, tendes outros meios   além  da   força;   primeiro, começais por vos submeter:   não  é   normal  que  o   escolar   imponha  sua vontade ao mestre."

Disso resulta que,  salvo  algumas exceções, o médium exprime o pensamento dos Espíritos pelos meios mecânicos   que  estão à sua disposição, e que a expressão   desse pensamento pode, e deve mesmo, o mais freqüentemente, se ressentir da imperfeição desses meios; assim, o  homem   inculto,  o   camponês,  poderá dizer as mais belas coisas, exprimir os pensamentos os mais elevados,  os  mais  filosóficos, falando como um camponês; porque,  como se sabe, para os Espíritos o pensamento domina   tudo.  Isso   responde  à  objeção de certos críticos a    respeito das    incorreções  de  estilo   e   de   ortografia que   se  podem vir a censurar nos Espíritos, e que podem provir   do  médium   tão   bem  quanto do Espírito. Há futilidade em se prender em semelhantes coisas. Não é menos pueril   interessar-se em reproduzir essas incorreções com uma minuciosa exatidão, como o vimos fazê-lo algumas vezes. Pode-se, pois, corrigi-las sem nenhum escrúpulo, a menos   que  não   sejam um tipo característico do Espírito que   se comunica, em cujo caso é útil conservá-las como prova  de  identidade.  Assim  é,  por  exemplo,  que    vimos um Espírito escrever constantemente Jule (sem s) falando a