O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XIX 704

seu neto, porque, quando vivo, escrevia dessa maneira, e embora o neto, que servia de médium, soubesse escrever perfeitamente seu nome.

225. A dissertação seguinte, dada espontaneamente por um Espírito superior, que se revelou por comunicações de ordem a mais elevada, resume, da maneira mais clara e mais completa, a questão do papel dos médiuns:

"Qualquer que seja a natureza dos médiuns escreventes, sejam   mecânicos, semi-mecânicos ou simplesmente intuitivos, nosso procedimento de comunicação com eles não varia essencialmente. Com efeito, nos comunicamos com os próprios Espíritos encarnados, como com os Espíritos, propriamente ditos, unicamente pela irradiação do nosso pensamento.

"Nossos pensamentos não têm necessidade das vestes  da palavra   para   serem   compreendidos pelos Espíritos,   e   todos   os Espíritos percebem o pensamento que   desejamos   lhes comunicar, só pelo fato de que dirigimos   nosso   pensamento   até   eles, e isso em razão das  suas  faculdades   intelectuais;   quer  dizer que tal pensamento pode  ser compreendido   por   tais   e tais, segundo seu adiantamento, ao   passo   que,   entre tais outros, esse pensamento não revela nenhuma   lembrança, nenhum conhecimento   no   fundo   do   seu coração ou do seu cérebro, não lhes  é  perceptível.   Nesse    caso,   o   Espírito encarnado   que nos  serve de   médium  está   mais  apropriado para transmitir o   nosso   pensamento  para os outros encarnados, se bem que não compreenda   que um Espírito desencarnado e pouco avançado não  poderia   fazê-lo,   se estivéssemos forçados  a   recorrer à   sua intermediação; porque o ser  terrestre   coloca   seu  corpo,  como instrumento, à nossa    disposição,   o   que   o Espírito errante não pode fazer.

"Assim, quando encontramos, num médium, o cérebro enriquecido de   conhecimentos   adquiridos  em sua vida atual,   e  seu Espírito rico de conhecimentos anteriores latentes,   próprios   para  facilitar  nossas  comunicações,  dele  nos   servimos  de  preferência, porque com ele o fenômeno da comunicação  nos  é  muito mais fácil do que com um mé-