O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XIX 705

dium    cuja   inteligência   fosse   limitada e cujos conhecimentos  anteriores  fossem   insuficientes.   Vamos   nos fazer   compreender  por  algumas explicações claras e precisas.

"Com  um   médium cuja inteligência atual ou anterior se encontra   desenvolvida,   nosso   pensamento se comunica instantaneamente de   Espírito   para Espírito, por uma faculdade   própria da essência do próprio Espírito. Neste caso,   encontramos  no cérebro do médium os elementos próprios para darem ao nosso pensamento a   vestimenta  da palavra correspondente a esse pensamento, e isso embora seja o médium intuitivo, semi-mecânico ou mecânico puro. Por isso, qualquer que seja a   diversidade   dos  Espíritos que se comuniquem por um médium, os ditados obtidos por ele, inteiramente procedentes de Espíritos diversos, levam um selo de forma e de cor pessoal desse médium. Sim, se bem que o pensamento lhe seja inteiramente estranho, se bem que o assunto   escape do quadro no qual se move habitualmente ele mesmo, se bem que aquilo que queremos dizer não provenha de nenhum modo de si, ele não influencia menos a forma, pelas qualidades e as propriedades que são adequadas à sua individualidade. É absolutamente como quando olhais diferentes pontos de vista com óculos coloridos,   verdes,   brancos   ou azuis; se bem que os pontos de vista, ou objetos olhados, sejam inteiramente opostos e inteiramente independentes uns dos outros, não deixam   de   afetar uma   tinta  que   provém da cor dos óculos. Ou melhor, comparemos os médiuns a esse frascos de líquidos   coloridos   e  transparentes que se vêem na vitrine de laboratórios farmacêuticos; pois bem, nós somos como   as   luzes que clareiam   certos   pontos de vista morais,  filosóficos e internos, através de médiuns azuis, verdes   ou vermelhos,  de   tal   sorte que nossos raios luminosos, obrigados  a  passarem   através  de   vidros   mais  ou menos   bem   talhados, mais ou menos transparentes, quer dizer, por médiuns mais  ou   menos   inteligentes,  não chegam sobre  os   objetos   que desejamos iluminar, senão tomando a tinta, ou  melhor, a forma própria e particular desses  médiuns.  Enfim,   para   terminar, por uma última comparação,    nós,    Espíritos,  somos como compositores de   música    que    compusemos   ou   queremos  improvisar