O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XIX 708

médiuns completamente estranhos ao assunto tratado, reunindo as letras e as palavras como em tipografia.

"Como dissemos, os Espíritos não têm necessidade de revestir seu pensamento; percebem e comunicam os pensamentos só pelo fato de que existem neles. Os seres corporais, ao contrário, não podem perceber o pensamento senão revestido. Enquanto que a letra, a palavra, o substantivo, o verbo, a frase numa palavra, vos são necessárias para perceber mesmo mentalmente, nenhuma forma visível ou tangível nos é necessária.

ERASTO E TIMÓTEO."

Nota. Esta análise do papel dos médiuns, e dos procedimentos com a ajuda dos quais os Espíritos se comunicam, é tão clara como lógica. Dela decorre, como princípio, que o Espírito toma, não suas idéias, mas os materiais necessários para exprimi-las, no cérebro do médium, e que quanto mais esse cérebro é rico em materiais, mais a comunicação é fácil. Quando o Espírito se exprime na língua familiar ao médium, encontra nele as palavras prontas para revestir a idéia; se numa língua que lhe é estranha, não encontra as palavras, mas simplesmente as letras; por isso, o Espírito é obrigado a ditar, por assim dizer, letra por letra, exatamente como se quiséssemos fazer escrever em alemão aquele que não sabe nenhuma palavra. Se o médium não sabe, nem ler, nem escrever, ele não possui nem mesmo as letras; é preciso, pois, conduzir-lhe a mão igual a um escolar; e aí está uma dificuldade material ainda maior a vencer. Esses fenômenos são, pois, possíveis, e se têm deles numerosos exemplos; mas se compreende que esta maneira de proceder se ajusta pouco com a extensão e a rapidez das comunicações, e que os Espíritos devem preferir os instrumentos os mais fáceis, ou, como eles dizem, os médiuns bem aparelhados em seu ponto de vista.

Se aqueles que pedem esses fenômenos como meios de convicção tivessem antes estudado a teoria, saberiam em que condições excepcionais eles se produzem.