O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XX 712

mentaneamente, porque desde que encontrem um que melhor lhes convenha, lhe dão a preferência.

Nota. Há a se observar que, quando os bons Espíritos julgam que um médium cessa de ser bem assistido, e se torna, pelas suas imperfeições, a presa dos Espíritos enganadores, provocam, quase sempre, circunstâncias que revelam suas manias, e afastam as pessoas sérias e bem intencionadas, de cuja boa-fé poderia ser abusada. Neste caso, quaisquer que sejam as suas faculdades, nada tem a lamentar.

9. Qual seria o médium que se poderia chamar de perfeito?

Perfeito, ah! bem sabeis que a perfeição não está sobre a Terra, de outro modo não estaríeis nela; dizei, pois, bom médium, e isso já é muito, porque são muito raros. O médium perfeito seria aquele ao qual os maus Espíritos não tivessem jamais ousado fazer uma tentativa para enganá-lo; o melhor é aquele que, não simpatizando senão com os bons Espíritos, foi enganado o menos freqüentemente.

10. Se não simpatiza senão com os bons Espíritos, como podem permitir que seja enganado?

Os bons Espíritos o permitem, algumas vezes, com os melhores médiuns, para exercerem seu julgamento e lhes ensinarem  a discernir o verdadeiro do falso; ademais, por bom   que seja   um   médium, não é jamais tão perfeito que não   possa   dar   ensejo  sobre  ele por algum lado fraco; isso deve lhe servir de lição. As falsas comunicações que recebe, de tempos em tempos, são advertências para que não  se  creia   infalível   e   não  se torne orgulhoso; porque o  médium  que  obtém   as   coisas  as   mais notáveis, não tem   mais   a  se   glorificar  disso  do  que  o   tocador de órgão,  que   produz   belas músicas, girando a manivela do seu instrumento.

11. Quais são as condições necessárias para que a palavra dos Espíritos superiores nos chegue pura de toda alteração?

Querer o bem; enxotar o egoísmo e o orgulho; as duas coisas são necessárias.