O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XX 714

228. Todas    as imperfeições morais são outro tanto de   portas  abertas  que   dão   acesso aos maus Espíritos; mas   a que exploram com maior habilidade é o orgulho, porque é a que cada um menos reconhece em si mesmo; o  orgulho   perdeu a numerosos médiuns   dotados    das mais   belas   faculdades  e  que,  sem  isso,  teriam  podido ser  sujeitos   notáveis   e   muito   úteis;  ao  passo   que, transformados   em  presa de Espíritos mentirosos, suas faculdades foram  primeiro    pervertidas, depois   aniquiladas,  e   mais de um se viu humilhado pelas mais amargas decepções.

O   orgulho  se  traduz, nos médiuns, por sinais inequívocos  sobre  os  quais é   tanto   mais   necessário chamar a atenção, porque é um dos caprichos que mais devem inspirar  desconfiança   sobre  a veracidade de suas comunicações.   Primeiro   é   uma confiança cega na superioridade dessas mesmas comunicações e na infalibilidade dos Espíritos   que  lhas   dão;   daí  um   certo   desdém por tudo o   que não vem deles, porque se crêem o privilégio da verdade. O   prestígio  dos   grandes   nomes   com os quais os   Espíritos  se   adornam,  que   são  tidos   como  protetores,  lhes  ofusca,  e   como  seu   amor-próprio  sofreria em confessar que são vítimas, recusam toda espécie de conselhos; evitam mesmo, e se afastam dos amigos que poderiam   lhes abrir os olhos;  se  têm a condescendência de escutá-los, não levam em nenhuma conta seus avisos, porque   duvidar   da   superioridade   de seu Espírito é quase uma profanação. Melindram-se com a menor contradição, com uma simples observação crítica e, algumas vezes, chegam até a odiar as próprias pessoas que lhes fizeram favores.  Graças  a esse isolamento provocado pelos Espíritos que não querem ter contraditores, estes estão em condições favoráveis para entretê-los em suas ilusões, e desse modo os fazem, facilmente, tomar os maiores absurdos por coisas sublimes. Assim, confiança absoluta na superioridade do que obtêm, desprezo daquilo que não vem deles, importância irrefletida atribuída aos grandes nomes, recusa de conselhos, tomar a mal toda crítica, distanciamento daqueles  que   podem  dar avisos desinteressados, crença na   sua  habilidade,   malgrado  sua   falta  de experiência: tais são os caracteres dos médiuns orgulhosos.