O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XX 715

É preciso convir, também, que o orgulho, freqüentemente, é   estimulado no médium por aqueles que o cercam. Se tem faculdades um pouco transcendentais, é procurado e louvado; crê-se indispensável, e logo toma ares de suficiência e de desdém quando presta seu concurso. Mais de uma vez, nos lamentamos pelos elogios que demos a certos médiuns, com o objetivo de encorajá-los.

229. Ao  lado disso, mostremos o quadro do médium verdadeiramente   bom,   aquele em que se pode ter confiança.   Suponhamos,  primeiro, uma facilidade de execução bastante   grande  para permitir aos Espíritos se comunicarem livremente e sem entraves por alguma dificuldade material.  Isto posto, o que mais importa considerar é a natureza dos Espíritos que o assistem habitualmente, e, para isso, não é ao nome que devemos nos referir, mas à linguagem.  Não  se  deve jamais perder de vista que as simpatias   que  ele granjear entre os bons Espíritos estarão em razão  do  que  fará   para  afastar os maus. Persuadido de que   sua faculdade é um dom que lhe é concedido para o bem, nunca procura dela se prevalecer, nem dela se faz qualquer mérito. Aceita as boas comunicações que lhe são feitas, como uma graça, da qual deve se esforçar para se tornar digno por sua bondade, por sua benevolência e sua modéstia. O primeiro se orgulha de suas relações com os Espíritos superiores; este se humilha, porque se crê sempre abaixo desse favor.

230. A   instrução  seguinte nos foi dada, a esse respeito, por um Espírito do qual já reportamos várias comunicações.

"Já dissemos: os médiuns, enquanto médiuns, não têm, senão uma influência secundária nas comunicações dos Espíritos; sua tarefa é a de uma máquina elétrica, que transmite os despachos  telegráficos de um ponto distante a   um  outro ponto distante da Terra. Assim, quando queremos  ditar uma comunicação, agimos sobre o médium como o   empregado   do telégrafo sobre seu aparelho; quer dizer, do mesmo modo que o tac-tac do telégrafo desenha, a milhares de léguas, sobre uma tira de papel, os sinais reprodutores do despacho, do mesmo modo nos comunicamos