O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE - CAPÍTULO XXII 728

timentos, certas paixões, idênticas às paixões e aos sentimentos humanos se desenvolvem neles; que são sensíveis e reconhecidos, vingativos e odientos, conforme se aja bem ou mal para com eles. É que Deus, que não faz nada incompleto, deu aos animais, companheiros ou servidores do homem, qualidades de sociabilidade que faltam inteiramente aos animais selvagens que habitam as solidões. Mas daí a poder servir de intermediário para a transmissão do pensamento dos Espíritos, há um abismo: a diferença das naturezas.

"Sabeis que tomamos ao cérebro do médium os elementos necessários para dar ao nosso pensamento uma forma sensível e compreensível para vós; é com a ajuda dos materiais que possui que o médium traduz nosso pensamento na linguagem vulgar; pois bem! que elementos encontraríamos no cérebro de um animal? Há palavras, nomes, letras, sinais quaisquer similares àqueles que existem entre os homens, mesmo os menos inteligentes? Entretanto, direis, os animais compreendem o pensamento do homem; adivinham-no mesmo; sim, os animais adestrados compreendem certos pensamentos, mas já os vistes reproduzi-los? Não; concluí, pois, que os animais não podem nos servir de intérpretes.

"Para me resumir: os fatos medianímicos não podem se manifestar sem o concurso consciente ou inconsciente de médiuns; e isso apenas entre os encarnados, Espíritos como nós, que podemos encontrar aqueles que nos sirvam de médiuns. Quanto ao adestramento dos cães, dos pássaros, ou outros animais, para fazer tais ou tais exercícios, é assunto vosso e não nosso".

ERASTO".

Nota. – Encontrar-se-á na Revista Espírita de setembro de 1861 o detalhe de um procedimento empregado pelos adestradores de pássaros sábios, para fazê-los tirar de um maço as cartas desejadas.